Dragao
Contagem realizada em dois textos de diferentes naturezas (o próprio Apêndice 2 e uma matéria de jornal), somando um total de 7.334 letras (com espaços em branco inclusos): havia 3.366 consoantes (45,9%), 2.954 vogais (40,3%) e 1.014 espaços em branco (13,8%).Contagem realizada em dois textos didáticos, somando um total de 8.719 letras (com espaços em branco inclusos): havia 4.512 consoantes (51,7%), 2.834 vogais (32,5%) e 1.373 espaços em branco (15,8%).
A elaboração deste livro tem a finalidade de divulgar e popularizar uma maneira mais simples e coerente de aprender outros idiomas, além de solucionar e equacionar algumas contradições evidentes na abordagem tradicional. Os objetivos principais deste programa são resgatar percepções e conhecimentos aprisionados pelo nosso atual sistema educacional e cultural da aprendizagem. Uma criança, até os sete anos de idade, escuta aproximadamente cem mil vezes a palavra “não”. Seja verdadeira ou não essa afirmação, talvez sejam nove “nãos” para cada “sim”! Ao freqüentar a escola, na maior parte das vezes, além das dificuldades comuns da educação formal, sua auto-estima é permanentemente bombardeada com observações e ênfases dadas aos erros e limites, poucas vezes aos acertos e sucessos, principalmente aquelas soluções criativas das crianças que, via de regra, fogem dos padrões do mundo adulto e são classificadas como subversões.
Ainda mais. Essas poucas formas de educar, espero que também antigas e desatualizadas, têm sido utilizadas para crianças de diferentes sensibilidades e níveis de percepção. Já conhecemos os resultados mais comuns ou possíveis: dependendo do nível socioeconômico, podem demandar uma série de programações de apoio escolar e adaptação infantil ao sistema, como aulas particulares, psicopedagogia, psicoterapia, acompanhamento escolar, fonoaudiologia, ludoterapia etc.
Nesse panorama educacional, a instrumentalização dos jovens e adultos com poderosas estratégias e recursos torna-se uma busca, muitas vezes até obsessiva, para uma melhor adaptação pessoal e profissional do indivíduo. No âmbito das empresas, por exemplo, os programas de reciclagem e capacitação em comunicação profissional, gerenciamento eficaz do tempo, liderança etc. Ocupam horas e horas, dias e dias e, parece-me, nunca cumprem o objetivo: o de realmente instalar tais habilidades nos executivos ou colaboradores de ambientes organizacionais. Se essa baixa eficiência nos programas de treinamento empresarial fosse observada pela ótica das crianças, talvez os alunos adultos fossem considerados repetentes ou reprovados em testes de proficiência. Muitos paradoxos, não?
Voltando-nos para questões mais essenciais de aprendizagem, tais como propor algumas soluções específicas, poucos adultos ou jovens talvez se lembrem do processo natural pelo qual passaram ao aprender a língua materna. Mesmo antes disso, o de reconhecer seu próprio corpo ou o aprendizado do processo da visão.
Essas potencialidades humanas, já instaladas em nossos genes, são excelentes ferramentas para lidarmos com a realidade. No caso especial da necessidade de um indivíduo aprender uma segunda língua, estrangeira, na maioria das vezes ele ignora os instrumentos que estão ao seu dispor. Que diríamos, então, de falar uma língua estrangeira? É fato, porém, que todas as metodologias disponíveis no mercado conduzem as pessoas a um processo artificial, e até bastante complicado, de aprendizado. Se pelo menos déssemos crédito às nossas percepções e constatações ao observarmos as crianças em redor, talvez tivéssemos mais segurança para afirmar que os processos pedagógicos e educativos formais de nossa época ainda são “pré-históricos” em vista do potencial de aprendizagem das crianças!
Observe uma criança e perceba como ela coleta impressões do ambiente. Se você se dispuser a esse exercício, perceberá o quão rápido entrará em estado de devaneio e resgatará lembranças de suas oportunidades de experimentação. Agradeça ao seu coração. Ele, certamente, anseia com vigor por oferecer muitas evidências de que talvez tenha aprendido ou aceitado muitos limites e, isto sim, possivelmente retarde sua habilidade de aprender fácil e naturalmente.
Observe um adulto, daqueles que ainda se consideram limitados quanto à habilidade de se comunicar em língua estrangeira. Provavelmente, na medida em que se dirija a uma criança de três ou quatro anos, cuja língua mãe seja aquela que ele gostaria de ou precisaria saber, ele talvez diga que essa criança teve uma oportunidade diferente, pois aprendeu desde pequena e, de fato, fala aquela língua. Entretanto, se avaliarmos seus recursos detalhadamente, é possível que esse adulto possua um vocabulário, naquela língua, até maior que o vocabulário da criança. Como ele faz essa distinção? Quais são os critérios que ele escolhe para diferenciar o que é falar, de fato, do que ele pensa que é falar?
Então, considerando-se esse desafio, pergunto: o que seria melhor do que redespertar sua disponibilidade, sua flexibilidade, sua criatividade, sua curiosidade, sua excitação, sua motivação e interesses básicos para conseguir comunicar-se efetivamente em uma língua estrangeira?
Salta-me aos olhos que essas categorias de capacidades essenciais sejam infinitamente mais significativas, visto que, no ser humano, nada existe sem elas! Entretanto, poucas vezes são percebidas como tão fundamentais por uma cultura, na qual os “porquês” e as técnicas tornaram-se mais importantes que as pessoas.
Neste programa de treinamento, as questões abordadas com maior ênfase, portanto, serão a ativação e a recuperação de poderosos recursos e estratégias de aprendizagem (já conhecidas em algum nível de percepção). Será tornar conscientes algumas coisas que sabemos, mas, ou não lembramos, ou não sabemos que sabemos.
Uma olhadela nos fatos nos mostra, talvez, um mundo de fantasias reais: era uma vez um mundo que ficou pequeno... Uma chamada telefônica daqui para o Japão, no outro lado do planeta, pode ser realizada em segundos. Uma viagem de avião, em menos de vinte e quatro horas!
Também houve um dia em que alguém teve a feliz idéia de construir uma língua universal, através da qual todos os seres humanos, de diferentes raças e culturas, poderiam se comunicar: o Esperanto. Hoje, já podemos observar a natural formação de uma língua mais universal (sintetizada pela necessidade, na América Central) chamada Papeamento – mera conseqüência da universalização. Houve também um dia em que homens e mulheres sonharam com as máquinas cumprindo seus deveres. Chegou esse dia! E agora? A busca de novos instrumentos, equipamentos e tecnologia de conhecimento reflete um anseio humano de capacitação para lidar com as mais profundas transformações e mudanças de nossa época.
Neste cenário de mudanças cada vez mais rápidas e globalizantes, a habilidade de se comunicar bem se tornou extremamente rentável, isto é, informação que flui vale muito. Enfim, os motivos podem ser inúmeros.
Quero convidá-lo agora a iniciar este empreendimento informando-o sobre questões de estilo de apresentação. Muitas pessoas dizem que os primeiros minutos de reconhecimento de um novo ambiente ou uma nova pessoa são muito significativos. Particularmente, em cursos e palestras, uso esses primeiros momentos para ativar a curiosidade dos participantes: “O que será que você está querendo de nós?” (essa é a pergunta que eu gostaria de ouvir após os primeiros minutos de um evento). Geralmente, portanto, inicio minhas palestras e cursos contando algumas histórias para criar um ambiente onde acontecerão as coisas.Esse breve mosaico de informações eventualmente pode provocar um certo estado de... Confusão. Não se preocupe. Confie neste conselho de Milton H. Erickson, o grande mestre da aprendizagem inconsciente:
“Em toda vida deveria entrar um tanto de confusão... e também um tanto de esclarecimento.”
Aprendizagem Acelerada de Línguas é um programa de treinamento rápido para desbloquear o aprendizado de outros idiomas. Seu principal objetivo é reativar aquela curiosidade natural, a motivação e as formas espontâneas e agradáveis que uma criança possui ao aprender a falar.Este programa foi especialmente desenvolvido para pessoas que querem aprender de forma mais simples, rápida e agradável ou para aquelas que não têm se adaptado às metodologias convencionais de estudo de idiomas.
O público principal deste programa constitui-se de pessoas que desejam ou necessitam falar outras línguas, sejam iniciantes absolutos, pessoas que já lêem e escrevem ou mesmo aquelas que já falam outros idiomas, mas ainda não aprenderam a pensar na própria língua estrangeira. Também tem sido útil para muitos professores de idiomas que se interessam por uma familiaridade maior com os obstáculos de aprendizagem mais comuns enfrentados por seus alunos.
A característica mais marcante deste método, no princípio desenvolvido para o ensino de adultos, é tratá-los realmente como adultos durante o aprendizado, levando-se em consideração suas habilidades já desenvolvidas e oferecendo-lhes, ao mesmo tempo, a aprendizagem da linguagem concreta e abstrata (níveis objetivo e metafórico).
O caminho mais curto para compreender este programa é por comparação com um curso convencional de idiomas. Quando uma pessoa se matricula em um curso tradicional de línguas, metaforicamente, podemos compará-la a quem compra um “peixe”. Este seminário possui como objetivo “ensinar a pescar”.
Muitos de nós já ouvimos falar em pessoas que possuem uma grande facilidade de aprender outros idiomas, pessoas que aprendem sem esforço algum. É possível também já termos ouvido falar da existência de alguns professores de línguas estrangeiras que nunca freqüentaram um curso formal de idiomas: são autodidatas. Essas pessoas não possuem, de fato, “um olho a mais” nem “dois ouvidos adicionais”! Apenas usam seu aparato sensorial de forma mais útil e efetiva para essas aprendizagens específicas. Cada um de nós, um dia, já fez parte de pelo menos um desses grupos.
Efetivamente, todos nós já fomos muito bem-sucedidos na mais complexa das tarefas: aprender a “primeira grande língua estrangeira”. Antes dela, nem sabíamos falar, nem sequer tínhamos o pensamento lógico estruturado. É a nossa língua mãe. Considerando esse sucesso precoce, podemos nos perguntar: por que deixamos de nos utilizar daquela forma natural e simples de aprender?
Um dado interessante é que 93% da comunicação interpessoal humana é não-verbal (não efetivada pelas palavras!). Tanto quanto saber que 99,9% da matéria física é espaço vazio, essa é uma informação que poucas vezes encontra ressonância em nossa percepção. Porém, grande parte das pessoas que se considera inapta para comunicação em língua estrangeira trata os 7% da comunicação verbal como se fossem os 93% da comunicação integral (esses índices são mágicos, se acreditarmos neles).
Portanto, é muito simples: somente 7% da comunicação deve ser reaprendida pelo hemisfério cerebral esquerdo, objetivando conhecer outras palavras para expressão em língua estrangeira. Observação: os 93% de mensagens não-verbais são divididos em padrões de linguagem não-verbais sonoras – 36% (ritmos, entonações e padrões sonoros) – e padrões de linguagem não-verbais de expressão corporal – 57% (gestos, movimentos etc). Necessariamente, ao aprendermos a expressão em língua estrangeira, aprenderemos menos de 50% de novidades, porém, aqueles 36% não demandam esforço, pois não precisam ser conscientes.
Dessa forma, o programa pretende instalar e ativar esses “instrumentos” e “ferramentas” de alto desempenho, próprios de processos naturais e inconscientes de aprendizagem, para que o indivíduo adquira autonomia para se orientar durante o seu processo de aprendizagem de idiomas.
As habilidades ativadas neste curso também permitem aos participantes a descoberta de significativos ganhos secundários que incluem as aprendizagens inconscientes, soluções terapêuticas, planejamento pessoal e a descoberta do infinito manancial de conhecimento que reside dentro de cada um de nós. Graças a essa outra dimensão, o curso também se destina a pessoas que querem melhorar a comunicação em público, sua concentração, sua criatividade, sua automotivação e aprender a gerenciar o estresse decorrente dos processos de aprendizagem e mudança.
As tecnologias utilizadas incluem o uso da Hipnose na Educação, Aprendizado com o Hemisfério Cerebral Direito, Programação Neurolingüística, PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental do Dr. Reuven Feuerstein, Aprendizagem Acelerada, Sugestopedia e outros. Em geral, o seminário prático possui dezenove horas de duração.“Encontre um ponto de apoio e será possível levantar o mundo!” é uma frase célebre de um filósofo do passado que havia descoberto como realizar grandes tarefas com pequenos esforços – o princípio da alavancagem. Em educação, o valor e aplicação desse princípio nos oferece ganhos inestimáveis.
Faço parte de um grupo de educadores e cientistas da aprendizagem que acredita que, quando essas tecnologias tiverem equiparado o seu desenvolvimento ao de nossas tecnologias de vanguarda, como Engenharia Eletrônica, Engenharia Genética, Engenharia Micromecânica e Nanorrobótica, então muito provavelmente uma criança com onze ou doze anos terá completado sua formação técnica correspondente a um grau de doutoramento. O comentário de um grande amigo, consultor de empresas, que foi diretor de uma grande montadora, ilustra bem esse futuro: “Walther, quando eu era criança, meus heróis eram soldadinhos de chumbo e cowboys. Hoje, as crianças e adolescentes possuem heróis e têm como modelo seres com habilidades super-humanas. Seres que voam, vêem através da matéria, têm forças sobrenaturais. Pense que isso representa uma nova categoria de indivíduos. Uma transformação na humanidade nunca antes sonhada. Está sendo projetada uma nova realidade, imagine!”
O Programa de Treinamento Aprendizagem Acelerada de Línguas Estrangeiras é uma moderna tecnologia elaborada com o objetivo de instrumentalizar pessoas para a aprendizagem rápida e efetiva de comunicação e expressão em línguas estrangeiras. É um curso direcionado a pessoas que ainda não conhecem o potencial de recursos de aprendizagem que reside em suas mentes não conscientes – dizem que um humano mediano utiliza apenas cinco por cento de suas capacidades mentais! Também resulta da participação neste curso a abertura da percepção para utilizar uma parte bastante maior do potencial inconsciente de discernir e aprender.Há dois anos publiquei um livro cuja apresentação e formato foram um pouco incomuns, alguns diriam estranho. Na apresentação, alertei os leitores que a obra não fora escrita para ser entendida, mas sim para ser sentida; também informei que era um conjunto de artigos e ensaios ordenados, em dois índices diferentes: um cronológico e outro por áreas de interesse. Percebi, de acordo com alguns comentários, que isso era incômodo para algumas pessoas, ou seja, a liberdade de leitura em seqüência aleatória não é algo que muitas pessoas esperam da proposta de um livro (afinal de contas, esses são os arquivos do conhecimento e nos informam o que é certo e o que é errado!).
No caso deste exemplar, as coisas parecem estar um pouco mais ordenadas... Só parecem! Apesar desta iniciativa ter um único índice e uma seqüência mais explícita, a linguagem é circular. Os próprios mapas mentais apresentados servem para auxiliar o entendimento do processo sistêmico de aprendizagem. Não estranhe, portanto. A maior parte deste empreendimento foi arquitetada e construída com base na intenção de gerar o aprendizado profundo e ativar a compreensão da lógica não linear das percepções – características próprias do processamento do hemisfério cerebral direito, para a grande maioria das pessoas (de acordo com alguns modelos de funcionamento do cérebro humano). Assim, sinta-se à vontade para improvisar e divirta-se!
Quanto à forma de ler este livro, quero apresentar algumas sugestões. Está dividido em partes complementares que podem ser abordadas em qualquer seqüência, de acordo com o estilo predominante de aprendizagem de cada um. Isto é, há pessoas que gostam de um roteiro definido – mentes mais lógicas e seqüenciais; há pessoas que preferem ter, primeiramente, uma noção do todo, para, posteriormente, ir detalhando a percepção – mentes mais intuitivas e de pensamento circular ou “mosaico”; há pessoas que gostam mais do aspecto prático e técnico – mentes mais objetivas e pragmáticas. A estrutura básica deste programa é sistêmica: cada parte é uma dimensão da representação do mesmo todo – a linguagem e o esqueleto são essencialmente circulares, sendo indiferente por onde começar. Sugiro, portanto, iniciar a leitura na dimensão mais habitual e familiar a cada leitor. Aqui está a descrição básica de cada parte:
- Considerações Iniciais, Prólogo e Introdução definem os cenários iniciais da elaboração deste empreendimento para o princípio da organização das informações e percepções por parte do leitor; graças à natureza circular da linguagem, tais entes serão progressivamente mais detalhados no decorrer das outras partes;
- Apresentação é exatamente onde você, leitor, está. Descreve um pouco da estrutura do livro e o contexto no qual os resultados dessa arquitetura serão mais efetivos;
- Preparação é a parte inicial de desenvolvimento do programa e corresponde à abertura do seminário prático. Aqui também é delineada a atitude inconsciente útil para desenvolver este programa, seja na definição de objetivos, seja na apreensão dos cenários de referência;
- Abordagem Cognitiva é a parte em que estão registradas as evidências e os “porquês”, especialmente construída para mentes mais racionais e inquiridoras;
- Abordagem Intuitiva é para despertar o interesse inconsciente de aprender e apreender. É também um bom “aperitivo” para se familiarizar confortavelmente com essas dimensões de compreensão – interessante para mentes de mesma natureza. Pode ser bastante atraente ler alguns dos Apêndices após esta parte (escolha de acordo com sua própria intuição);
- Abordagem Experiencial é onde se encontram os exercícios e experiências que ativam nossas percepções e “ferramentas”; as mentes mais práticas e objetivas devem encontrar aqui seus maiores pilares de apoio – uma compreensão mais visceral da metodologia;
- Apêndices contêm informações e percepções úteis relacionadas ao texto, porém, foram apresentados dessa forma para não desviar a seqüência dos “capítulos”, obscurecendo a clareza. Não obstante, servem para criar maior precisão.
Neste livro, a liberdade de ir e vir, de iniciar a leitura em locais diferentes conforme o interesse e estilo de aprendizagem, serve para proporcionar um conforto, talvez, bastante maior que no seminário, onde os participantes geralmente têm que administrar a aparente desordem no roteiro do curso. Por outro lado, o impacto inconsciente ou emocional de algumas seqüências de experiências também pode ser atenuado graças a essa liberdade.
Atualmente, tenho formulado algumas perguntas aos participantes das minhas palestras de apresentação destas novas tecnologias de aprendizagem – um extenso trabalho missionário de conscientização para novas oportunidades e necessidades. Em geral, me utilizo de uma abordagem adaptada de uma palestra de John Kao, um consultor sino-americano de criatividade e gestão empresarial. São as seguintes:
- Quantos de vocês acreditam que criatividade é e será um importante fator diferencial competitivo para a vida no próximo século? 95% a 100% dos presentes usualmente levantam a mão;
- Quem se considera criativo? Até 20% das pessoas levantam a mão;
- Quem possui uma forma organizada de criar e consegue resultados criativos sempre que precisa? Até 5% se manifesta;
- E concentração... determinação... flexibilidade... percepção... boa memória... organização... boa comunicação... etc.? A cada uma dessas habilidades, em geral, 90% ou mais se manifesta. Pasme!!! Normalmente, ninguém nos ensina essas habilidades na educação formal.
Assim, agora podemos oferecer uma definição: Flexibilização de Estados de Excelência em Aprendizagem (FEEA) é uma metodologia educacional que possui como premissa fundamental a crença de que “EXISTE PELO MENOS UM AMBIENTE, EM NOSSAS VIDAS, NO QUAL SOMOS EXCELENTES”. Analisemos o contexto no qual isso é possível.A Jornalista Preguiçosa
Como palestrante, é comum ser convidado para dar entrevistas. Sejam elas na mídia impressa ou eletrônica, sempre tomo muito cuidado com a linguagem para evitar, na medida do possível, muitas distorções decorrentes do rápido estudo de conceitos tão complexos por parte dos jornalistas. Não obstante, possuo um estilo circular de organizar o discurso – isso já é mais que suficiente para gerar confusão. Então, o cuidado é redobrado quando a entrevista é ao vivo. Chego o mais cedo possível para encontrar e conversar com o entrevistador para que possa aproveitar melhor as perguntas. Quando as entrevistas são sobre Hipnose, é bastante freqüente que a pergunta da pauta que encabece a entrevista seja: “O que é Hipnose?” Essa é a primeira que peço que retirem – estudo essa ciência há vinte anos e ainda não consigo defini-la em poucas palavras (evidentemente, abomino esta resposta: “Hipnose vem da palavra grega Hypnos, que quer dizer sono”, zzzzzzz...).
Mais cedo ou mais tarde, nessas prévias conversas com entrevistadores, geralmente algum deles acaba por fazer a seguinte colocação: “Sabe, Walther, estou achando muito interessante esse seu trabalho. Eu mesmo tenho o seguinte problema... Acho que você pode me ajudar...” Comparo isso àquelas consultas que se faz ao médico quando encontramos um no elevador: “Doutor, eu tenho uma dorzinha aqui, o que o senhor acha que pode ser? Será que é sério? E se...”
Enfim, numa dessas ocasiões, a entrevistadora disse-me que tinha uma dificuldade muito séria: “Walther, eu tenho uma p-r-e-g-u-i-ç-a de fazer as coisas...” Nas empresas, esse problema chama-se, muitas vezes, procrastinação.Mudei de assunto, sem que ela percebesse. Quando já estava suficientemente distraída daquela questão, perguntei-lhe: “Diga-me uma coisa, afinal de contas, o que você gosta de fazer?” Ainda um pouco confusa, precisei repetir a pergunta para obter a seguinte resposta: “Ah, eu gosto de ir à praia, gosto de dançar, ouvir música, encontrar meus amigos e tomar um chopinho...” Então disparei o tiro de misericórdia: “E você tem preguiça de fazer essas coisas?” Touché!!! “Não, não, não!!!” Plenamente convicta! Não tinha preguiça de pegar o carro, viajar duzentos quilômetros até o litoral norte no final de semana, “torrar” debaixo do sol e ainda viajar mais duzentos quilômetros de volta! Ela não tinha preguiça de sair de casa às 23 h, dançar a noite inteira, às vezes, beber um pouco a mais, retornar às 6 h ou 7 h e amargar uma ressaca! Também não tinha preguiça de ouvir músicas o dia todo!
Flexibilização de Estados de Excelência em Aprendizagem (FEEA) é uma tecnologia de transferência de competências e habilidades inconscientes. É um método para construir o Aprendizado Profundo, isto é, uma forma de expandir e transferir os nossos estados de excelência para outros ambientes em nossa vida: “existe pelo menos um ambiente, em nossas vidas, no qual somos excelentes”.
Pense bem, existe pelo menos um ambiente em sua vida no qual você possui uma excelente memória: talvez na forma de se lembrar de piadas, de locais, capítulos da novela. Talvez na forma de se lembrar de receitas de doces ou salgados. Talvez na forma de se lembrar de problemas – e não os esquecer jamais!
Existe pelo menos um ambiente em nossas vidas onde temos a concentração de um mestre – e não conheço nenhuma definição melhor para a boa concentração do que o estado de atenção de uma criança brincando! Sensibilidade? Talvez na maneira de tocar alguém e transmitir bons sentimentos, talvez na forma de provocar ou ironizar algum fato. Talvez na cozinha, no campo de futebol ou na forma de combinar as roupas. Quem sabe ao apreciar música.Excelência é um atributo da natureza humana. É só procurar para encontrar. Acredite nisso, mesmo que todas as evidências e comentários, ou mesmo nossa educação, tenham inadvertidamente querido nos adestrar contra essas observações. Ao proferir tais afirmações em público, até hoje, ninguém conseguiu negar essa realidade. Não obstante, a ativação e expansão dessas condições de excelência (em geral restritas a alguns ambientes de nossas vidas) dependem de outras considerações.
Ciclo do Aprendizado Profundo
Peter Senge, um reconhecido autor e consultor americano de aprendizagem nas empresas, define em seu livro “A Quinta Disciplina – Caderno de Campo” um esquema muito interessante, apresentado a seguir (adaptado para nossos fins):
Esse modelo explica as razões pelas quais muitas de nossas aprendizagens, inúmeras vezes, não se disponibilizam em nosso comportamento natural ou em nossa consciência: qualquer mudança efetiva deve estar fundamentada nessas três dimensões, caso contrário, as interações sistêmicas entre elas tendem a reverter o quadro da aprendizagem e estabilizar o sistema em uma condição de equilíbrio já conhecida e estruturada. Por essa razão, também, este programa está subdividido naquelas três abordagens já mencionadas: Intuitiva, Cognitiva eExperiencial.
ResumoO sistema OLeLaS – FEEA é uma metodologia que serve como um “lubrificante” no aprendizado de idiomas com a finalidade de poupar até 60% do tempo total necessário para desenvolver a competência de falar outras línguas. Os principais fatores diferenciais correspondem à abordagem estratégica da aprendizagem, podendo ser comparada ao “aprender a pescar” em vez de, apenas, comprar “peixes”. O conceito central desta tecnologia é a AUTONOMIA decorrente da ativação de habilidades de aprendizagem inconsciente.TarefasDaquilo que leu até aqui, proponho que relacione a principais idéias com as quais você:a)concorda; se possível, justifique;b)discorda; idem.Mantenha por perto essa breve classificação, para colaborar no processo de equacionamento de suas percepções de uma forma integrada com suas experiências anteriores.
Eventualmente, você pode chegar à conclusão de que este livro parece um pouco incompleto. Se isso acontecer, sugiro que termine a leitura das partes complementares. Se essa impressão persistir, receito uma segunda “dose” completa. Entretanto, se ainda permanecer aquela percepção, saiba que me sentirei satisfeito, pois estará na hora de você fazer a sua parte: consciente e inconscientemente. Afinal de contas, aprender é trilharmos por nós mesmos os caminhos que escolhemos consciente ou inconscientemente.Enquanto aprendedor, tenho sido um cientista do aprendizado mesmo antes de tomar conhecimento dessa trilha que se mostrou em minha vida pessoal e profissional. Essas habilidades vêm sendo esculpidas nas mais diversas áreas do conhecimento: formação acadêmica, prática e ensino do tênis, prática e ensino do Tai Chi Chuan, Hipnose, educação, empreendedorismo, comportamento, música, comércio, relacionamento etc. Por essas razões, essencialmente pragmáticas, tenho uma grande preocupação em não oferecer conhecimento sem sua dimensão vivencial.
A Palestra sobre Gerenciamento do Estresse
Certo dia, realizei uma palestra sobre gerenciamento de estresse para um grupo de jovens empresários. Também tenho essa experiência de ser empreendedor e sabia que qualquer apresentação de uma teoria formal sobre estresse não os comoveria, nem os ajudaria a solucionar os seus problemas. Assim, após ter sido apresentado como palestrante lá na frente, sentei na cadeira e fiquei em silêncio por alguns minutos. Alguns? Acredito terem transcorrido, talvez, noventa segundos, embora tivesse planejado aproximadamente três ou quatro minutos. Porém, foram os mais longos da minha vida. Posteriormente, descobri que, também para eles, foram bastante extensos. Meu compromisso como palestrante era “palestrar”, óbvio. A expectativa deles, certamente, era participar de mais uma palestra. Porém, o inusitado e inesperado desse artifício realmente os comoveu e abriu uma fresta em seus habituais pensamentos para perceber que grande parte do estresse negativo é gerado internamente.
Sim, durante aqueles intermináveis noventa segundos eles ficaram impacientes e até irritados com o palestrante, lá na frente, apenas olhando para eles! Entre os participantes havia um senhor que abriu um jornal: sábia decisão. Ele provavelmente, por maior que fosse a tensão externa, já aprendera que poderia se sentir tão bem quanto quisesse em qualquer ambiente.
A Outra Aula
Há alguns anos tive uma experiência muito interessante. Ao comentar com algumas pessoas, entretanto, nem todas compartilham da mesma opinião. Como pequeno empresário, coletei uma série de aprendizados, experiências e convivências no Sebrae-SP, numa época em que havia caído a demanda pelo meu produto e eu optara por manter a minha equipe profissional intacta. Logo, tinha uma certa ociosidade que me conduziu para as salas de aula de cursos especialmente construídos para formação de micro e pequenos empresários.
Após ter freqüentado vários pequenos seminários naquela instituição, chegou a ocasião de mudar meus métodos de escolha de outros cursos, pois os seguintes não mais se relacionavam com minhas necessidades profissionais imediatas. Já havia participado de todos os que me interessavam. Porém, mantinha meu interesse de continuar a conviver com aquele tipo de colega, alunos, professores e consultores. Assim, meus critérios de escolha de um novo programa de treinamento foram ponderar o conselho de algum outro colega ou a determinação aleatória do próximo evento. Graças a coincidentes indicações, acabei por inscrever-me num programa de Administração de Compras.
Esse curso se relacionava muito pouco com minhas necessidades profissionais na época. Eu atuava no ramo de serviços e seguramente meus fornecedores eram os melhores: tinham o melhor produto, melhor preço, melhor prazo e ainda atuavam na economia formal. Apesar das baixas expectativas de resultados, a experiência de ter participado desse seminário foi muito enriquecedora.
Estudo aprendizagem já há muitos anos e garanto, existem formas não ortodoxas de estudar e aprender que muitas pessoas praticam de maneira intuitiva. Funcionam muito bem, mas algumas delas são veementemente condenadas por representantes do sistema educacional mais antigo. Sem desejar qualquer discussão a esse respeito, o que está em pauta aqui são os resultados – é de uma forma não convencional que obtenho os meus.
Imagino que se você, leitor, está lendo este livro, provavelmente não esteja completamente satisfeito com os resultados que obteve até aqui, portanto convido você, pelo menos a título de curiosidade ou de experimentação, a caminhar por estas trilhas. Pois, se continuar a fazer tudo exatamente da forma que sempre fez, provavelmente estará fadado a continuar exatamente com os mesmos resultados, ou menos, dizem os profissionais das áreas de marketing e tecnologia.
Ao chegar atrasado no primeiro dia do seminário, não pude presenciar a abertura e as apresentações dos participantes. A aula já se desenrolava. Não quis sequer escolher um bom assento na sala, para não tumultuar excessivamente aquele ambiente bastante apertado e pouco ventilado. Sentei-me na primeira fileira. Tomei alguns minutos para abrir a apostila e localizar-me no curso, até que, naturalmente, minha atenção se voltou para o palestrante. Conforme comecei a acompanhar o seu discurso, passaram-se alguns instantes e... “apaguei”. Muitas pessoas têm espontaneamente essa experiência, normalmente chamada “dormir em aula”.
Apesar da grande freqüência com que isso ocorre com as mais diversas pessoas, os estudos desse fenômeno ainda não foram suficientemente divulgados para tranqüilizar os professores e colegas dos praticantes do transe em aprendizagem. Tecnicamente, se forem medidos os padrões das freqüências de ondas cerebrais dessas pessoas que dizem dormir em sala de aula, observarão que incluem ondas tipicamente associadas a transes ou estados alterados de consciência – uma boa evidência disso é quando ocorre qualquer mínima mudança na tonalidade de voz do palestrante, alteração de alguma dinâmica ou encerramento do discurso, caso em que o despertar é tão rápido quanto o apagamento. E, em geral, sem todas aquelas manifestações e sensações que acompanham o despertar do sono fisiológico.
Essas alterações de estados de consciência são corriqueiras na minha prática de estudo e também enquanto participo de seminários. Levo isso em consideração quando escolho sentar-me nas fileiras do meio e, sempre que possível, comunico ao palestrante que estou ali por livre e espontânea vontade, “pagando o curso do meu próprio bolso” e bastante interessado em seus ensinamentos. Isso porque, em geral, as pessoas acreditam ser melhor dormir em casa!
Retornando. Naquela data, então, eu me sentara na primeira fileira e não tinha ainda avisado o instrutor e nem algum colega vizinho que porventura quisesse informar-me da importância de algum assunto e que pudesse porventura interferir, como é comum, no meu “esquisito” estilo de participar da aula. Dos meus estudos sobre aprendizagem em estados alterados de consciência, inferira uma série de conclusões que permaneciam, até então, como idéias de possibilidades e boas crenças. Desta vez, porém, a minha percepção finalmente me contemplara com suas evidências.
Após algum tempo naquele estado, despertei. Quando voltei à consciência, consegui trazer em mente quatro certezas muito significativas: 1) eu estivera assistindo à aula com aquele mesmo professor; 2) eu estivera naquela mesma sala de aula, porém, sem nenhum outro colega presente; 3) o assunto não se relacionava em nada com Administração de Compras; 4) eu tinha convicção, embora não me lembrasse exatamente do assunto tratado, de que era uma aula sobre algo muito importante para mim naquela época.
Ao ouvir essa história, muitas pessoas sugeriram que eu estivera dormindo a ponto de sonhar... Discordo dessa conclusão. Despertara, enfim, assistira ao curso durante mais alguns minutos e constatara que as percepções daquele ambiente diferiam totalmente daquelas captadas na “outra aula”. Transcorrido mais algum tempo, “apaguei” novamente.
Não tenho o hábito de avaliar quanto tempo permaneço em cada um desses estados de percepção – tudo ocorre com espontaneidade, atualmente. Quando despertei pela segunda vez, então, possuía cinco certezas: as quatro anteriores mais uma vez tinham se confirmado. A quinta conduzia-me a crer que tivera retornado, precisamente, ao momento no qual se interrompera a “outra aula”, para dar-lhe seqüência. De acordo com aquilo que comentei anteriormente, até esse fato ocorrer, não tivera evidências perceptuais que comprovassem minhas crenças, exceto o bom desempenho de aprendizado e estudo em aulas nas quais “dormira”.
As decorrências desse fato, além disso, me convidavam a acreditar também que, em cada comunicação ou interação humana, existe mais de um nível de compreensão possível e simultâneo. Em resumo, descobrira que, dentro de cada aula, existe pelo menos mais uma “outra aula” se desenrolando. Pairou então a seguinte questão: nunca, até aquela data, havia percebido algo além da realidade objetiva; agora percebera que existia pelo menos mais uma realidade interpenetrando minhas percepções. Quantas mais seriam possíveis coexistir?
No universo da aprendizagem, conhecimento e compreensão inconscientes (cuja ativação e resgate temos a intenção de efetivar, no mínimo parcialmente), as regras, leis de funcionamento e estruturação são um tanto quanto diferentes do mundo lógico e racional. Portanto, explorar essas realidades depende de algumas decisões e escolhas em que pesem nossa satisfação (plena ou parcial) com os nossos atuais resultados. Esse é um caminho de muitas descobertas e novidades, mas também de muitas mudanças, reflexões e decisões.
Naturalmente, essa história anterior pode não mobilizar interiormente você, leitor, exceto no caso de já ter vivido alguma experiência semelhante. Não obstante, a inferência dessa multidimensionalidade de nossa mente é, para este empreendimento, extremamente importante de ser constatada. A estruturação de nossa percepção e compreensão em diferentes níveis poderá ser também abstraída de outros exemplos.
Estive proferindo uma palestra sobre mudanças comportamentais em uma empresa estatal cujo tema era “Hipnose aplicada a mudanças organizacionais”. Após uma preleção de aproximadamente duas horas, abri a palestra para debates e perguntas. Entre as várias questões apresentadas por um público de mais de cem pessoas, quero destacar duas especialmente importantes para nós.
O Homem que Acreditava em Deus
Um senhor pediu a palavra e propôs uma reflexão a respeito de certos métodos de conduzir determinadas práticas de caráter religioso. Em síntese, queria saber se a Hipnose tem sido utilizada nesses conhecidos cultos fundamentalistas evangélicos. Afirmei que, descartando-se aqueles modelos arcaicos de compreensão dos processos hipnóticos, certamente a maior parte dos fenômenos presentes naqueles cultos religiosos tinham suas bases em estados de consciência induzidos hipnoticamente. Transes, curas, fantasias dirigidas, persuasão à colaboração financeira, grandes comoções etc. Então ele finalmente considerou que, afinal de contas: “...em Deus, ou se acredita ou não se acredita!”
Eu lembrei-lhe de que esquecera uma outra alternativa. Porém, ele reforçou: “Não existe outra opção, ou se acredita ou não se acredita. Da mesma forma, não existe mulher meio grávida, ou está ou não está!!!” Repeti seu esquecimento. Ele mais uma vez enfatizou que não poderia haver outra possibilidade (concluí que ele estava hipnotizado por sua crença, a ponto de não conseguir ver além dela). Então, já tendo atingido o estado ideal de ativação, finalizei dizendo que existem pessoas que nem acreditam nem desacreditam em Deus: “Elas sentem ou percebem Sua Presença!” Existe um outro caminho, ele concordou, completamente.
O Menino que Quebrava Brinquedos
Na mesma palestra, uma senhora se apresentou, disse que gostara muito de algumas colocações e que queria ouvir minha opinião sobre a seguinte questão:
“Tenho um filho de nove anos. Não sei mais o que fazer com ele. Ele destrói todos os seus brinquedos! O que você me aconselha a fazer? Já lhe disse, várias vezes, que não lhe daria mais nenhum brinquedo até que aprendesse a cuidar dos que possuía. Ele acaba ganhando de outras pessoas... Além disso, quando percebo que não tem com o que brincar, acabo me comovendo e comprando-lhe um novo. Então novamente ele o quebra. Isso me deixa bastante irritada e repito que não vou mais lhe dar brinquedos. Mas você sabe como a gente é, eu não agüento e acabo comprando novamente. O que você acha que deve ser feito?”
A longa apresentação do problema me proporcionou tempo para pensar, então lhe disse o seguinte:
“Eu tenho pelo menos três respostas diferentes para considerar... A primeira delas talvez seja a mais significativa dos pontos de vista de seu filho e meu. Eu também fui uma criança que quebrava muitos brinquedos. Na verdade, eu não os jogava no chão para ver se quebravam ou os incendiava. Tampouco os arremessava pela janela... Eu brincava, explorava, experimentava e, muitas vezes, eles se quebravam. Ocasionalmente, fazia comboios de carrinhos de ferro amarrados por fios de linha que bloqueavam as rodinhas ao se embaraçar nelas. Muitas vezes desmontava um brinquedo para entender como funcionava. Inicialmente, ao remontá-los, talvez sobrassem algumas peças e, certamente, não funcionavam mais. Na verdade, eu apenas brincava.
Passou-se algum tempo e, cada vez que remontava um brinquedo, até por vezes sobrava uma ou outra peça, mas voltavam a funcionar. Mais algum tempo, então, quando tinha dois ou três brinquedos quebrados, conseguia, reunindo partes de cada um, montar ou construir um que funcionasse. E assim foi com brinquedos de plástico, madeira, metal, mecânicos, eletromecânicos e até eletrônicos.
Percebo, hoje em dia, que essa foi uma longa e importante etapa de desenvolvimento de algumas habilidades que considero de valor inestimável. Habilidades de manipular o mundo da realidade concreta. O mundo material. O desenvolvimento dessas competências me proporciona, no presente, uma grande desenvoltura em gerenciar e administrar ferramentas e consertar alguns diferentes tipos de utensílios domésticos e eletrodomésticos, eletricidade, alguma coisa de eletrônicos, hidráulica, mecânica, marcenaria etc.
Portanto, nesse caso, no seu lugar, eu não me preocuparia com o dinheiro que estivesse sendo gasto em brinquedos condenados à destruição. Estaria, sim, muito interessado em financiar e investir o quanto fosse possível e racional no desenvolvimento de algumas dessas habilidades de compreender, perceber e manipular o mundo das coisas materiais. Isso para qualquer criança. Também me interessaria em proporcionar-lhe autonomia nessas competências – serão de muito valor para ele. Além disso, esse ímpeto talvez chamado de destruidor, quando orientado para construir, acaba por justificar muitos contratempos.
A segunda resposta será a mais incômoda e, no entanto, valiosa para você como mãe. Pense bem, no relacionamento com seu filho, nessas questões de brinquedos, o único padrão repetitivo é sua atitude incoerente como mãe. Observe: brinquedos diferentes quebrados, brinquedos diferentes comprados, dias diferentes, até mesmo em locais diferentes; o único fator constante e repetitivo é o seu comportamento incongruente. Aquilo que você realmente está ensinando a seu filho, inconscientemente, é que ele pode manipulá-la quando precisar. Imperceptivelmente, você está ensinando-o a desrespeitá-la e a não acreditar em você. Está mostrando-lhe, desde pequeno, a grande fantasia do mundo dos adultos: os adultos não fazem o que falam e também não falam o que fazem!
Assim, sugiro que, no futuro, nunca mais lhe dê um brinquedo se continuar a afirmar que não lhe dará mais enquanto ele não aprender a conservá-los. Ou nunca mais lhe diga que não dará se não tiver forças para cumprir sua palavra. Caso contrário, daqui por diante, saiba que, cada vez que ele desrespeitá-la ou mentir para você, você mesma ensinou isso a ele! A incongruência.A terceira resposta talvez seja a mais importante das três: eu, se fosse você, não acreditaria em nada do que acabei de dizer, pois não tenho filhos e, além disso, fui filho único, criado entre adultos. Minha mais completa experiência com crianças foi como educador em um ambiente esportivo. Logo, conclua você aquilo que pode ser útil no seu caso.”
Infelizmente, quando nascemos, não nos é dado o manual de instruções para sabermos como operar melhor todas as nossas potencialidades. Sequer alguém nos diz quais são elas. Da mesma forma, nossos pais, tendo a melhor e mais pura das intenções, acabam por fazer o melhor que podem com as “ferramentas” das quais dispõem. Entretanto, isso não garante completo sucesso.
Ao iniciarmos nossas vidas, é natural que pelos estímulos mais comuns, aprendamos inconscientemente uma série de hábitos de comportamento, integrados e incorporados à nossa forma de ser, de agir, de sentir, de pensar, de argumentar e de explorar o mundo. Muitas vezes, também, nossa forma de sonhar, de criticar ou abrir mão de nossos planos. Graças a esta grande revolução atual nos modelos de trabalho, produção e construção do conhecimento, muitas famílias tiveram os pais compromissados com a captação de recursos para a sobrevivência. Por isso, uma influência muito significativa na nossa formação tem sido a televisão. O conhecimento e a informação cada vez mais democratizados têm sido selecionados de formas diferentes das anteriores, das nossas gerações. Configura-se, assim, um certo hiato na transmissão direta de uma cultura comportamental bastante antiga e já anacrônica.
Neste momento, essas ponderações são muito importantes, pois muitas vezes estabelecemos alguns objetivos em nossas vidas que se tornam fardos ou obstáculos em nosso caminho. Pense bem, passamos anos lenta e esforçadamente subindo degrau por degrau de uma longa escada – uma metáfora de nossa vida. Quando atingimos uma determinada altura, já podemos olhar a realidade de um ponto de vista mais privilegiado. Ocasionalmente, descobrimos, para nossa surpresa, que encostamos nossa escada na parede errada!
Portanto, para seguir adiante neste livro, reflita sobre a necessidade de definir adequadamente os seus objetivos. Escolha um bom motivo para desenvolver a habilidade de falar fluentemente outro(s) idioma(s), caso contrário, aproveite melhor seu tempo! Próximo, muito próximo no tempo, talvez no ano 2.010 ou 2.015, ninguém mais terá necessidade de aprender outros idiomas. Os equipamentos eletrônicos (ou outros) se encarregarão, com eficácia e qualidade, de nos proporcionar comunicação fluente com nativos de qualquer outra língua, sem que necessariamente tenhamos de falar a mesma.
Eu conheço pelo menos três bons motivos para se estudar outras línguas. São eles:1.Fale outro(s) idioma(s) porque você gosta de aprender a falar línguas;2.Aprenda a falar outra língua porque algum(s) objetivo(s) seu(s), na dimensão profissional, pessoal ou social, de curto ou médio prazo, depende(m) disso;3.Faça isso pelo aspecto transcendente do aprendizado. Aprender outros idiomas também é uma forma de “abrir janelas mentais e emocionais”, cultivar novas percepções, identidades, auto-conhecimento e desenvolver muito mais flexibilidade.
Criando Objetivos para Trilhar o Caminho
As considerações a seguir são importantes para que você se organize interiormente e armazene estas aprendizagens em locais úteis, consciente e inconscientemente. Servirão também para melhor orientação durante o programa:
- Sistema de Aprendizado Aberto de Línguas (OLeLaS – FEEA) tem por objetivo, entre outros, oferecer evidências para que o leitor responda às seguintes questões:
- Qual é a diferença entre aqueles palestrantes, professores ou pessoas que falam, falam, falam e não dizem nada e aquelas pessoas que, independentemente da quantidade de palavras que usam, nos transmitem idéias e pensamentos (através da linguagem) “quase vivos”? E, normalmente, nos estimulam e proporcionam uma torrente de pensamentos, sentimentos e novas idéias, “insights” (introvisões) e soluções criativas.
- Qual é a diferença entre aqueles planos e objetivos que estabelecemos e que, de fato, se realizam, e aqueles que, embora nos esforcemos e trabalhemos, nunca se materializam?
- Como nós, em cada momento, escolhemos o que perceber? Pense bem, se nós, daqui em diante, consciente e inconscientemente, escolhermos perceber os estímulos de sons e palavras do idioma que intencionamos aprender... então, talvez nos tornemos uma daquelas pessoas que desenvolvem a habilidade de falar e se comunicar nessa língua de forma espontânea, natural e sem esforço!
- Como nós escolhemos do que nos lembrar? Reflita, de tantas e tantas aprendizagens já efetivadas ao longo de todo o processo educacional pelo qual passamos, se começássemos a nos lembrar das mais úteis, provavelmente, também, pouparíamos muito tempo!
- Como você sabe que você é você, pela manhã quando acorda? Se existe algo que devemos lembrar espontaneamente são as coisas que nos são úteis; se existe uma boa razão para ter-se amnésia, seria para esquecer nossas lembranças inconvenientes (“Por que ser quem somos se podemos ser ainda melhores?” – Richard Bandler).
Por gerações e gerações temos aprendido que o nosso presente é conseqüência do nosso passado. Acreditamos tão profundamente nessa consideração que agimos como se a Lei da Causa e Efeito fosse algo definitivo. Observando, porém, as grandes realizações humanas, talvez possamos formular uma outra grande lei: a Lei do Efeito e Causa. Isso mesmo! Para nós, seres humanos, essa lei é mais valiosa que a anterior: ela diz que o presente também é conseqüência do futuro! Escolha um novo sonho ou plano e observe como mudam suas sensações, percepções e sentimentos. Perceba também que suas ações passam a se adequar ao futuro!
- As metas explícitas ou, para nós, educadores, as estimativas de resultados e expectativas mais comumente atingidas durante e após o programa. Na verdade, são os principais fatores que atraem os participantes ao seminário:
- Melhorar a comunicação e expressão interpessoal e tornar mais natural e agradável a comunicação em público.
- Melhorar a comunicação e a expressão intrapessoal.
- Gerenciar o estresse, consciente e inconscientemente.
- Ativar e desenvolver a criatividade, a concentração e a automotivação.
- Aprender a aprender, desenvolver potentes estratégias de aprendizagem, entender e desenvolver a capacidade de aprender de forma mais natural.
- Estimular uma reestruturação subjetiva e melhorar algumas estratégias de tomada de decisão.
- Falar outros idiomas, melhorar o discernimento auditivo e aprender a formular pensamentos (pensar) em outras línguas.
Esses são os resultados mais freqüentemente observados após o seminário. Nas turmas realizadas em finais de semana, a melhora do discernimento auditivo, por exemplo, em média, é estimada em 40%, dependendo do nível original de proficiência no idioma. Uma semana após o curso, a diminuição no nível de tensão e estresse negativos atinge, em média, 50%. Em relação à tomada de decisão, algumas pessoas mais impulsivas atestam que se tornaram um pouco mais reflexivas; não obstante, algumas pessoas mais reflexivas acabam por se utilizar um pouco mais da intuição para decidir.
- Curiosamente, pela própria natureza desta metodologia, Flexibilização de Estados de Excelência em Aprendizagem (FEEA), para que cada pessoa atinja de uma forma mais rápida e efetiva os seus resultados, os ambientes de trabalho durante o programa estão relacionados a seguir:
- A comunicação não-verbal: tornar mais visceral a evidência de que 93% da comunicação humana não se constitui de palavras (dados experimentais comprovados em laboratórios de pesquisa comportamental e comunicação humana).
- Os estados mentais próprios da aprendizagem acelerada: proporcionar percepções e mais evidências da importância e da necessidade de se desenvolver uma forma mais integral e flexível de processar informações e conhecimentos por ambos os hemisférios cerebrais,ativada e estimulada pela metodologia FEEA.
- As identidades do falante de línguas estrangeiras: reconstruir e resgatar padrões mais efetivos e naturais de expressividade consciente e inconsciente para uso em outros idiomas.
- Finalmente, as dimensões, os objetivos, intenções e habilidades a serem estimuladas mais importantes para nós, educadores, ainda pertencem a uma outra categoria que costumo denominar de metas implícitas. Magicamente, se você efetivamente atingir os objetivos que definiu para serem alcançados com o apoio deste livro, ficará registrado o valor e a importância do Princípio da Alavancagem bem aplicado à Educação. Ele está sustentado pelos seguintes pilares:
- Disponibilidade: construção de um “solo fértil” para aprender outros idiomas e lembrar-se deles quando necessário, desbloqueio e ruptura de sistemas de crenças limitantes.
- Sentido: a dimensão na qual resgatamos níveis mais essenciais de curiosidade natural (ao ativar nossa orientação inconsciente) e a nossa automotivação.
- Procedimentos: técnicas e estratégias de alto desempenho, aquelas formas de agir cujas pessoas muito bem-sucedidas utilizaram, consciente ou inconscientemente, para atingir o sucesso nessas aprendizagens.
- Discernimento: o necessário desenvolvimento da percepção e sensibilidade para que as técnicas não fiquem “guardadas na prateleira”, e comecem a funcionar naturalmente.
- Fé: um estado de espírito confiante decorrente de termos reconhecido uma parte maior de nosso potencial inconsciente de aprendizagem rápida e natural. Nesta dimensão, resgatamos nossa autoconfiança; metaforicamente, pode também ser considerado o resgate de nossa “noção de centro”.
Neste momento, se fosse novamente apresentada a pergunta “O que é FEEA?”, a resposta seria um pouco diferente. Observe a próxima figura com cuidado e responda: o que você está vendo?
A maior parte das pessoas responde que percebe um triângulo. Alguns dizem “packmans”, outros, um pedaço de pizza etc. Considere: se você vê um triângulo neste desenho, infelizmente tenho que afirmar que não existe nenhum! Porém, podemos perceber um... Existe ou não existe algum triângulo? A resposta é: “Existe e não existe o triângulo!” Isso, evidentemente, do ponto de vista desta tecnologia FEEA.
A nova definição será: Flexibilização de Estados de Excelência em Aprendizagem, uma metodologia que nos estimula o aprendizado de como estabilizar na consciência pontos de vista contraditórios ou paradoxos.
As tensões decorrentes do esforço de manter em mente os paradoxos criam energia mental suficiente para projetar nossa mente para níveis mais profundos de síntese e compreensão. Essa é a verdadeira natureza desta metodologia FEEA. Essa é a natureza da Hipnose Aplicada à Educação: criar oportunidades de confinamento mental em paradoxos – o “combustível” da energia de síntese criativa. Este livro tem a finalidade de, repetidamente, provocar essas situações.
Por outro lado, o seu próprio papel de leitor, complementar ao do livro, será melhor representado pelo desafio contido na ilustração da página seguinte.
Saiba que neste desenho existe uma estrela de cinco pontas geometricamente perfeita. Seu trabalho, durante o desenrolar do livro, é encontrá-la. Essa será uma metáfora interessante que representa mais visceralmente a qualidade de sua participação e seu investimento neste programa: aprender a decodificar a ordem subjacente ao caos, desenvolver a habilidade de juntar evidências e sintetizar percepções capturadas num ambiente descontínuo. Essa será apenas mais uma experiência para estimular a consolidação do seu “faro” para oportunidades.Finalmente, ao definir de uma forma íntegra os seus objetivos, você chegará a experimentar uma condição de sentimentos e de sucessão de eventos muito curiosa em sua vida. Uma determinada certeza e ritmo nos acontecimentos talvez, até então, desconhecida. Será perceptível para algumas pessoas, dessa forma, a assertiva de que “os grandes mestres não têm paciência... De fato, eles não precisam dela!”. Isso também fará sentido...

... Emagrecer sem Dieta
Uma amiga, certa vez, participando de um seminário meu que durava seis noites, de segunda a quarta-feira, durante duas semanas, contou-me o seguinte acontecimento: há três meses, vinha fazendo noventa minutos diários de exercícios com o objetivo de emagrecer e entrar em forma para o verão próximo. Após esses três meses de atividades físicas regulares, desanimara ao descobrir que seu peso tinha se rebaixado apenas em meio quilo e que, duas semanas antes, num sábado, tinha recuperado o peso anterior num jantar de final de ano.
No final de semana durante o curso, entretanto, faltara ao compromisso de jogar tênis comigo, pois um antigo namorado chileno havia chegado ao Brasil com um amigo. Ela, os convidados, a filha e a mãe viajaram para o litoral a fim de aproveitar o feriado prolongado. Durante quatro dias, estivera à beira da praia comendo salgadinhos, camarão, petiscos etc.; bebendo caipirinha, chope, cerveja, refrigerantes etc.; tomando sol, vento, mar etc.; conversando, descansando etc.; e constatara, finalmente, ao retornar para São Paulo, que seu peso tinha se reduzido em dois quilos. Afinal de contas, “qual foi a diferença que fez a diferença”?
Uma Oriental Caminhando na Avenida Paulista
Certa vez, caminhava pela Avenida Paulista, em São Paulo, em direção a um banco (não era um dia de descanso, tampouco um dia de extrema agitação), num ritmo regido pela idéia de que “tempo é dinheiro”. Aproveito essas caminhadas para refletir sobre várias coisas do dia-a-dia e do trabalho. Num dado momento, percebi que se aproximava alguém pelas minhas costas; mantive-me atento. Conforme ia caminhando, num certo estreitamento da área de circulação de pedestres na calçada, percebi que tal pessoa começava a se emparelhar comigo na caminhada.
Olhei para o lado e, ligeiramente atrás, observei que era uma moça, oriental, possivelmente coreana, e que tinha aproximadamente um metro e quarenta de estatura. Surpreendi-me com seu jeito de caminhar. Tinha um ritmo bastante característico e um certo oscilar de altura, como se dançasse, subindo e descendo a cada passo. Sem alterar o meu próprio ritmo nem o tamanho dos meus passos, apesar de possuir um metro e oitenta e cinco centímetros, ela progressivamente me ultrapassou e começou a se distanciar. Ao observá-la pelas costas, ainda notei que tinha um biotipo comum aos orientais, com o tronco maior que as pernas e a coluna particularmente reta. Fui atleta, treinador de atletas e pratico Tai Chi Chuan há muitos anos – o movimento corporal e a harmonia dos gestos são as primeiras referências que capturo ao observar uma pessoa. Também fica evidente aos olhos treinados quando uma pessoa está fazendo mais esforço do que o necessário durante um gesto ou movimento.
Garanto, aquela moça caminhava com grande rendimento, naturalidade, coordenação e ritmo. Pensei: se eu tivesse aquela forma de caminhar, considerando que minhas pernas eram quase 30% maiores que as dela, provavelmente caminharia duas vezes mais rápido com o mesmo esforço que eu estava utilizando! Creio que não era apenas uma questão de aptidão ou predisposição genética. Acredito que poderia aprender e treinar aquela forma de caminhar. Possivelmente, entretanto, isso representaria uma mudança mais significativa em termos de hábitos musculares, coordenação e postura geral do meu corpo. Uma mudança dessas deveria então ser dividida em várias dimensões e estágios.
Cinco Maridos
Um grande mestre contou-me uma história bastante esclarecedora para concluirmos, finalmente, as atitudes importantes para continuarmos nosso caminho. Era sobre um amigo seu, americano, também cientista do comportamento e divorciado há alguns anos. Há algum tempo vinha se relacionando com uma moça pela qual se apaixonara. Como terapeuta, observava em seu consultório que seus clientes, individuais ou casais, traziam um conjunto de evidências de que, ao se casarem novamente, após uma separação anterior, muitas vezes “mudava-se apenas a carteira de identidade” do(a) novo(a) companheiro(a); os dramas e dificuldades de relacionamento permaneciam, apesar de terem escolhido um novo par.
Isso, cedo ou tarde, condenava uma nova relação, conduzindo-a a um antigo problema e mais um impasse. Sabia, no entanto, que também tinha contribuído para o fracasso de seu primeiro casamento. Tinha medo de que agora, ao casar-se novamente, repetisse os mesmos erros. Seu dilema contrapunha seu interesse presente pela moça à sua experiência profissional, que lhe indicava a possibilidade de um novo fracasso por antigos problemas.
Confidenciara seu drama a alguns amigos dispostos a convencê-lo a arriscar-se novamente. Um desses, ao convidá-lo para uma festa, oportunamente, durante a reunião, mostrou-lhe, entre os presentes, um casal que já comemorara bodas de trinta e cinco anos. Interessado e curioso a respeito dos segredos de tal sucesso no casamento, aguardara ansiosamente uma oportunidade de se aproximar e conhecer o casal, ou um dos dois, e descobrir-lhes a receita do sucesso.
Finalmente surgiu a ocasião propícia; aproximou-se no momento em que a senhora fora se servir à mesa, ao afastar-se do marido. Iniciou uma conversa, apresentou-se e contou-lhe a curiosidade. Quando aquela senhora ouviu que, supostamente, estava casada havia trinta e cinco anos, franziu a testa e negou: “Não, não, não. Nesses anos todos eu tive cinco maridos!”Desconcertado e surpreso, tentou desculpar-se pelo mal-entendido, enquanto a senhora, sem perder o ritmo, começou a contar-lhe, mantendo a elegância, como tivera sido sua vida:“O meu primeiro marido... Éramos jovens, apaixonados, ele me trazia flores, passeávamos muito, viajávamos...” Contou várias aventuras e episódios. “... Até que, um dia, nasceu meu primeiro filho. Então tudo mudou e... Meu marido me abandonou...”Chocado com o acontecido, porém, o terapeuta não teve tempo de expressar sua surpresa. A senhora prosseguiu:“O meu segundo marido era um homem muito sério, estudava muito, passava horas e horas trancado em seu escritório, muitas noites nem sequer dormia... Eu aprendi a amá-lo e respeitá-lo. Aprendi muito com sua disciplina e determinação. Um dia, porém, ele também me abandonou...
Meu terceiro marido era um homem muito trabalhador, muito honesto e também muito reconhecido profissionalmente. Tinha muitos amigos e viajava muito. Eu tive que me desdobrar para dar conta de todas as atribuições que me sobravam enquanto ele estava fora. Nessa época, eu já tinha três filhos. Mas ele, um dia, também se foi...
Meu quarto marido era um homem muito famoso, muito sociável, vivíamos em jantares, festas, coquetéis e reuniões. Muitas vezes eu recebi convidados e pessoas em casa. Aprendi a conviver com ele e também a amá-lo muito. Era um homem muito distinto e elegante... Um dia, porém, ele também me deixou...”
O cientista, já desconfiado ao ouvir esta última parte da história, teve então plena certeza quando a senhora começou a contar sua vida com o seu quinto marido... Sim, ela estivera, o tempo todo, falando da mesma pessoa. Tivera “cinco maridos”, porém apenas um casamento! De uma forma sábia, entretanto, percebera que seu caminho se delineava a partir de uma sucessão de fases e papéis diferentes de acordo com o momento da vida. E cabe a nós identificá-los, aceitá-los e assumi-los ao percorrermos nossa jornada.
Espero que até aqui, caso você tenha iniciado por esta parte do livro, tenham ficado registradas algumas percepções subjetivas que o acompanhem pelo caminho adiante. Se, entretanto, você está chegando aqui, tendo começado por “outras paragens”, então muitos “insights” provavelmente estarão já se apresentando. Neste segundo caso, estas últimas linhas apenas confirmarão suas descobertas. Precisamos somente de mais um acordo...
Leitura criativa
A linguagem informal deste livro consiste numa estratégia que tem por intenção e pretensão criar um clima de leitura criativa. Aqui reside um dos mais importantes aspectos desta metodologia.
Contraditoriamente, quanto menos esforço fizermos neste processo, maiores serão os resultados! Estaremos, ao longo deste programa, investindo tempo e energia na integração e no resgate de muitas habilidades e percepções que, por alguma razão muito importante, até aqui não têm estado em uso.
Quero exemplificar melhor a observação anterior, para que possamos compreender o significado e a importância da adequação cultural e social para cada indivíduo. Três exemplos servirão para coordenarmos, sem prévios julgamentos e de uma maneira mais respeitosa, nossos interesses de mudança, crescimento e transformação com nossos antigos programas de “sobrevivência” e adequação social, profissional e pessoal – condições que, efetivamente, nos destacam e compõem os atributos de nossa própria identidade.
Peter Senge, reconhecido cientista americano, conta uma história muito interessante em seu livro mais recente, traduzido para o português, “A Quinta Disciplina – Caderno de Campo”. Diz algo a respeito de um povo africano cuja saudação entre as pessoas era: “Te vejo”. A reposta correspondente era: “Eu estou aqui”. Nessa cultura, um indivíduo ficaria muito ofendido caso alguém lhe encontrasse sem cumprimentá-lo, pois estaria negando-lhe a existência e, conseqüentemente, retirando-lhe a própria identidade. É claro, essa é “uma outra cultura”. Em nossa civilização, conquistamos respeito, reconhecimento e identidade pelo que sabemos repetir e reproduzir dos conhecimentos culturalmente aceitos como verdadeiros. Ou através da representação de ações ou frases observadas nos programas de televisão. Parte da noção de realidade e dos significados são estabelecidos pelos personagens em evidência em cada época – grandes personalidades e artistas nos oferecem os padrões de conduta adequados.
Outra ocasião interessante de ser observada: tive oportunidade de participar de um encontro de atualização profissional de Recursos Humanos em agosto de 1.996. Eu faria a palestra de abertura do terceiro e último dia do evento. Assim, aproveitei os dois primeiros dias para reconhecer a linguagem dos outros palestrantes e adaptar o meu discurso. Na abertura do segundo dia, houve uma dinâmica com musicoterapia. Percebi que o palestrante estava realmente empenhado em obter a participação do grupo. Mas seus esforços davam poucos resultados. Num dado momento, solicitou aos presentes, sentados ao longo do auditório, que se levantassem e que trocassem de posição: quem se sentava à frente deveria se encaminhar para trás e vice-versa.
Quando a movimentação se iniciou, pediu ainda que, no momento em que duas pessoas se cruzassem, olhassem nos olhos uma da outra, se cumprimentassem e trocassem um sorriso. Observei fatos interessantes: 85% dos homens que encontrei não me olharam nos olhos; 40% das mulheres também não! Alguns, ao dar a mão, rapidamente, sequer paravam de caminhar. Percebi que, em todo o auditório, que continha umas cem ou cento e cinquenta pessoas, apenas um senhor “engravatado” não se levantara para participar dessa vivência. Pensei comigo: “Talvez esse seja um dos poucos honestos em todo este grupo, pois, não querendo participar, teve coragem de boicotar abertamente a dinâmica”.
Também pensei: “Estes são os profissionais que cuidam das pessoas nas empresas? Que desastre!” Felizmente, entretanto, há uma minoria, porém crescente, de profissionais dessa área não só interessados mas também empenhados e comprometidos em contribuir para a construção de um novo modelo de gestão do potencial humano. Tive a felicidade de encontrar outras instituições nas quais o principal papel dos executivos é o de gestor do potencial humano: “Uma empresa não vale absolutamente quase nada no fim-de-semana, ou seja, sem os seus profissionais” (adaptado do Sr. João Roberto Benites).
Por muitos anos, o conflito aparente entre o processo criativo e os limites de expressão dessa força criativa (comumente conhecidos como bloqueios) tem sido apresentado como algo a ser vencido por um dos personagens: a chamada criatividade. Mas essa é essencialmente uma conclusão do mundo adulto. No universo infantil, de alguma forma, esse conflito parece ser construído e ativado para que os bloqueios perseverem. Contraditório, não?
De alguma estranha forma, parece que as crianças, criativamente, aprendem a não utilizar sua criatividade! De fato, uma outra forma de entender os chamados bloqueios mentais ou emocionais é percebê-los como construções criativas de nossa própria mente inconsciente para lidar com os regulares problemas causados pela expressão descontrolada de nossos impulsos criativos.
Certamente, então, qualquer recurso, comportamento ou estratégia que tivemos ou usamos em alguma época de nossa vida e, conscientemente ou não, escolhemos deixar de utilizá-la para assumir uma identidade reconhecida profissional ou socialmente, poderá ser reativada. Agora, entretanto, não devemos nos condenar ou mesmo julgar algumas decisões, sejam elas inconscientes ou não. Naquela época, talvez tenha sido muito mais importante a conquista do processo de sociabilização e a construção de uma identidade socialmente reconhecida. No presente, porém, poderá ser muito importante para nossa expressividade e realização que resgatemos aqueles potenciais que acabaram por adormecer em nosso interior.
Para que ocorra aquele fenômeno que chamo de leitura criativa, convoco a participação daquela dimensão de existência na qual ocorre a intensa maioria de nossas percepções e ações: a nossa mente inconsciente. Afinal de contas, como você escolhe o que perceber? Enquanto você lê estas linhas, pode não estar totalmente consciente de uma série de eventos que coexistem ao mesmo tempo: suas sensações corporais de contato e calor, o resto de suas impressões visuais periféricas que abarcam, pelo menos, um cenário muito maior que estas páginas e várias impressões sonoras que lhe invadem os ouvidos, seja por dentro ou por fora e, mesmo assim, são desviadas de sua consciência, processo este que podemos chamar, no momento, simplificadamente, de percepção periférica.
Também, especialmente, devemos considerar nossas memórias e nossos pensamentos – como eles são ordenados?
Então repito, convoco todas aquelas dimensões da nossa existência que realmente escolhem o que perceber, aquelas que escolhem o que lembrar e também aquelas que escolhem o que pensar, entre outras, e que, na maioria das vezes, nos orientam e nos apontam os caminhos para as experiências de vida. Convoco-as todas para contribuir e participar deste empreendimento que pode gerar aprendizagens e percepções que transcendam os limites dos objetivos conscientes. Essa convocação tem um nobre objetivo que partilhamos todos juntos: sentir-nos melhor e promover melhores formas de expressão de nossa condição mais essencial, o fator humano.
Nesse processo, que chamei de leitura criativa, espero que a mente inconsciente de cada um de nós esteja presente, a oferecer-nos as mais significativas percepções, conscientes ou não, transformando a nossa consciência apenas num palco e num cenário de um espetáculo em que estejam presentes, simultânea e/ou sucessivamente, impressões internas e externas, para que possamos realizar, o mais efetivamente possível, nosso intento íntimo com este programa.Não se oponha se, então, ao acompanhar estas palavras durante a leitura, acontecerem reações como: desconcentração ou concentração absolutas, não-entendimento ou entendimentos únicos, sonolência ou intenso impulso de movimentação e, principalmente, uma série incomum de sensações pelo corpo, imagens conexas ou desconexas, ou mesmo um discurso paralelo dentro de sua mente ou percepções. Não existe certo ou errado nesta proposta, são apenas sinais e mensagens de sua mente inconsciente.
Todos esses efeitos, sejam conscientes ou não, apenas indicam uma intensa atividade interior de integração de percepções e ruptura de algumas crenças de limites instaladas ao longo de anos pela nossa adequação, sociabilização e educação formais.
Não obstante, permita que isso aconteça e divirta-se com isso. Quando perceber algum impulso de movimento, vontade de espreguiçar-se, bocejar ou adormecer, deixe acontecer. Não se preocupe, nem se pré-ocupe. Ceda aos impulsos espontâneos. Poderemos reaprender coisas interessantes nesse caminho. Os diferentes estilos de aprendizagem estão sendo estudados e nós, acadêmicos ou não, ainda temos muito a aprender com aquelas crianças que “dormem” na aula, que estudam vendo televisão ou mesmo conversando, ou desenham enquanto assistem às aulas na escola – e comumente são excelentes alunos.
Quaisquer sensações, sejam incomuns ou não, durante a leitura deste livro, deverão ser entendidas como mensagens. Mensagens e informações de nossa(s) mente(s) não consciente(s). Sendo assim, leitura criativa é um processo que se desenrola em nossa consciência, no qual, simultânea ou sucessivamente, estamos sensíveis, receptivos e perceptíveis a estímulos externos (informações e representações dos objetos de observação, estudo ou leitura) e sensíveis e atentos às impressões subjetivas que nos são oferecidas, tais como: percepções sensoriais, viscerais, visuais, auditivas, idéias, memórias e intuições. Não esqueça as instintivas também, no caso de ocorrer sono, fome, uma vontade de se movimentar ou ir ao banheiro. Acima de tudo, divirta-se!
Estes foram os principais acordos necessários para continuarmos nosso empreendimento: abrir novos caminhos e desbravar fronteiras. Assim, supondo que, realmente, nosso “coração” possua como um valor elevado a coleta de experiências e aprendizagens, agora passaremos à frente para discutir soluções, após termos definido um cenário inicial que inclui experiências típicas de nossa cultura. Neste programa, propriamente, serão propostas soluções em um ambiente específico: como falar línguas estrangeiras mais rapidamente e com menos esforço. Esse é um objetivo que pode ser considerado bem formulado se possuir um prazo. Em contrapartida, deve-se ter em mente que: aprender língua estrangeira ou aprender a falar língua estrangeira é tão indefinido quanto querer emagrecer, e não, escolher um determinado peso. Se definirmos como objetivo um processo (aprender, emagrecer etc.), obteremos como resultado a conquista do processo, e não necessariamente do fato! É o caso daqueles que aprendem línguas a vida toda mas não falam, ou dos que estão sempre em dieta mas nunca estão magros.
Resumo
Esta é uma parte muito importante deste programa de aprendizagem inconsciente para construir a atitude adequada para ter acesso a canais de comunicação com a nossa própria mente inconsciente. Romper alguns protocolos sociais que nos moldam a percepção e flexibilizar algumas crenças nos permitirão encontrar um sentido mais profundo para desenvolver o processo, agregando ainda alguns ganhos secundáriosinteressantes, próprios da estimulação dessas dimensões de nossa existência.
O encadeamento de múltiplos níveis de sentido e significação ainda nos mostra o valor e a elegância da utilização do Princípio da Alavancagem aplicado neste contexto. Serve ainda para convidá-lo(a) a vivenciar um processo de aprendizagem mais profundo e integral, incorporando todos os aspectos mentais, emocionais e corporais que se apresentam durante a leitura deste livro.
Tarefa
- Pense por alguns momentos e defina pelo menos três objetivos para serem alcançados durante ou após este programa.
- Após definir os três objetivos, resuma cada um deles em uma frase curta ou uma palavra que sintetize os pensamentos e sentimentos presentes durante esta etapa.
Esta dimensão do Programa OLeLaS – FEEA, como explicado anteriormente, tem a finalidade de expor as razões e a estrutura de funcionamento aparente de todo o processo de aprendizagem e efetivação da habilidade de falar em outros idiomas. Naturalmente, algumas outras questões podem ser suscitadas pela reflexão detalhada sobre esses assuntos relacionados com a compreensão dos processos de aprendizagem e as contradições que motivaram a construção desse programa.
Na medida do possível, acredito que a maior parte das soluções serão encontradas através de modelos teóricos que estejam fundamentados na observação do processo natural, até que, um dia, algum novo modelo científico possa nos oferecer um atalho não intuído a partir da observação, porém mais efetivo em resultados.
Até esse dia, quando e se ele chegar, proponho uma meditação sobre as idéias apresentadas nesta parte do programa, com o objetivo de construir uma atitude essencial para compreender mais visceralmente as evidências. Algumas informações desta parte já foram, ou serão, novamente apresentadas com maior ou menor detalhe. Faz parte da linguagem circular.
Nesta parte, considero útil, também, apresentar algumas experiências que serviram de referência para a arquitetura desta metodologia. De um modo geral, são fatos que vivenciei, completamente esparsos e desconexos no tempo, e que, ao tomar consciência, eram somente curiosas percepções. Num belo dia, ao sintetizar os objetivos para este curso, percebi que aquelas memórias eram os tijolos básicos para a concepção deste projeto. Chamo-as de experiências de referência.
Durante meus seminários, tenho o hábito de apresentar, inicialmente, os objetivos e a arquitetura básica do programa. Diferente da estrutura do livro, que pode ser lido de qualquer maneira, um treinamento tem início, meio e fim. Reservo sempre para o início a abordagem cognitiva para persuadir e motivar as pessoas a aceitar as experiências e convites ao trabalho. Após o contato inicial, costumo me apresentar profissionalmente (os detalhes mais pessoais estão no fim do livro). Não obstante, falando sobre as origens essenciais das minhas buscas e pesquisas, necessariamente, acabo me remetendo às fontes nas quais saciei parte da minha sede. A experiência relatada a seguir, considero, talvez, a mais fundamental para compreender este programa.
Uma Atitude Importante
Nos anos de 1.984 e 1.985, enquanto freqüentava o Instituto de Física, tive a oportunidade de conhecer um grande mestre, um dos poucos que restam na universidade. Ouvira falar de sua habilidade e competência – por isso me matriculei em uma matéria optativa. Ele só lecionava uma matéria por semestre no curso de graduação – o foco de seu trabalho estava na pós-graduação. No início, não sabia exatamente o que seria abordado naquela disciplina (cujo nome era bastante complexo: “Sínteses e Aplicações de Processadores Digitais”). Interessava-me conhecê-lo. Pela estrutura curricular, ao nos matricularmos em uma cadeira eletiva, automaticamente ela se torna obrigatória em nosso histórico escolar.
Graças a isso, tive que cursá-la outra vez, pois fora reprovado por faltas na primeira ocasião. Isso me proporcionou a oportunidade de assistir pela segunda vez à aula de apresentação do curso de um semestre. Acredito que, somente então, tenha identificado a profunda importância daquele início de relacionamento.
Depois de apresentar o programa do semestre, critérios de avaliação e dinâmica do curso, num dado momento parava, olhava para cada um de nós e dizia, compassadamente: “Nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...”
Mais uma vez, durante um longo silêncio, percorria seu olhar fixo por nós, alunos, e, ao ter observado cada um, quebrava o silêncio: “Sim, pessoal... Eu digo isso, ‘nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...’, porque, até hoje, eu não consegui convencer minha tia de que o homem realmente realizou essa conquista”.
Sua frustração era evidente. Entretanto, sua serenidade, muito presente. Era um doutor em ciências da informação, um físico extremamente gabaritado, membro da comunidade científica internacional, tinha acesso às mais diversas publicações científicas e materiais didáticos... Toda essa variedade de fontes não fora suficiente para convencer sua própria tia. Certa vez, levara um filme para mostrar-lhe. Ela assistira ao filme com atenção e, quando questionada sobre sua opinião, respondeu: “Ah, esses meninos de Hollywood... O que eles não são capazes de fazer para nos convencer de um mundo de fantasias!”
Fotos, filmes, reportagens... Nada era suficiente para sua conquista. Essa tensão e conflito provavelmente o conduzira a uma grande e fundamental síntese criativa: finalmente chegara à conclusão de que ele escolhera acreditar nesse fato. Ele mesmo não estivera na Lua, nem sequer na cápsula espacial que alunissara, através da qual, pela escotilha, pudesse observar o primeiro homem pisando a Lua!
Chegara, enfim, à conclusão de que ele escolhera acreditar e se utilizar pessoal e profissionalmente de tal conhecimento. Mas não pudera testar, através de sua percepção, a realidade absoluta de tal fato. Tanto quanto esse meu mestre, eu não estive na Lua, nem na cápsula espacial. Aprendi com ele que acreditar ou não nesse “fato” era uma questão de escolha. Escolhi, portanto, compartilhar de sua crença. Semelhante a isso, minha escolha pelas tecnologias educacionais que utilizo está totalmente vinculada à minha formação exata. Apesar de nunca ter atuado nessa área, exceto durante uma bolsa de iniciação científica, sempre fui educador, meu compromisso visceral é com números, com percepções palpáveis. Por isso escolho esta metodologia FEEA. Garanto, é o que conheço de mais rápido, efetivo e natural em obter resultados de aprendizagem.
Não obstante, se algum de vocês me encontrar um dia, no futuro, em qualquer lugar deste planeta, ou mesmo fora dele (afinal de contas, as viagens espaciais estão cada vez mais populares), e me perguntar: “Walther, li o seu livro ‘Domesticando o Dragão’ (ou freqüentei o seu seminário) e encontrei coisas interessantes nele. Diga-me uma coisa, aquilo que você disse no livro (ou curso) é verdade?” Eu nego!!! Em qualquer lugar do Sistema Solar ou fora dele! O que vou dizer é que tudo aquilo era o que eu conhecia de mais próximo da realidade até então. Porém, se desta data para o futuro eu aprender novos métodos e ferramentas mais rápidas, mais potentes e mais naturais em resultados, eu não terei escrúpulo nenhum em abandonar tudo o que já aprendi e estudei, pois o meu compromisso visceral é com números e resultados palpáveis, e não com modelos científicos ou teóricos!
Neste momento, enfatizo o convite a que você, leitor, adote a mesma atitude para que possa aproveitar o máximo deste programa: não acredite em nada que estiver escrito neste livro, a não ser que você consiga comprovar através de sua própria percepção, razão ou intuição. E ainda assim, saiba que, um dia, talvez tudo isso venha a mudar!
Contradições do Sistema Formal
Como educador, inventor e empresário, muitas foram as questões que me motivaram a pesquisar mais detalhadamente este universo da educação. Inicialmente, entretanto, acredito que a baixíssima efetividade nos resultados dos programas convencionais de estudo de idiomas fora a observação mais curiosa e destoante. As questões apresentadas a seguir se constituíram no segundo trampolim para a síntese deste projeto.
Um Número Mágico
Conforme já apresentado na Preparação, os laboratórios de pesquisa sobre comportamento e comunicação humana mostraram uma realidade muito interessante sobre a natureza da comunicação interpessoal. Essas informações são apresentadas em qualquer livro sobre PNL (Programação Neurolingüística). Na compreensão da comunicação interpessoal humana, a importância das palavras propriamente ditas é muito pequena:
- 7% da comunicação são as palavras (verbal);
- 36% da comunicação corresponde às sonoridades (não-verbal);
- 57% da comunicação é constituída de expressão corporal (não-verbal).
Aqui fica aparente como são construídas nossas primeiras e principais dificuldades para aprender uma nova língua. Por anos, durante o ensino básico e formal de idiomas, aprendemos, detalhada e repetidamente, conhecimentos e padrões que correspondem a apenas 7% da comunicação, ou seja, aproximadamente 99% da ênfase da educação é dada a apenas 7% das reais necessidades de ferramentas para se comunicar naquela língua. Completamente absurdo, não?
Somos induzidos a crer que estamos aprendendo ou aprendemos aquele idioma. Entretanto, quando não conseguimos nos expressar através dele, pensamos ou imaginamos possuir bloqueios de expressão. Não! Não! Não! Falta a recontextualização daqueles conhecimentos no ambiente da expressão e “horas de vôo” de comunicação interpessoal naquele idioma para cristalizar definitivamente aquelas aprendizagens na comunicação verbal. Até, surpreendentemente, como também já comentado, existem professores de idiomas, nessa fase do aprendizado formal, que nem sequer falam ou falaram a língua que estão “ensinando”!Evidentemente, por mais interessante que você conclua ser essa informação de que 93% da comunicação humana é não-verbal, podem restar algumas questões: “Como podemos utilizar esse conhecimento a nosso favor?”, “Na prática, o que isso representa?”. Realmente, não gostaria que você apenas começasse a propagandear isso sem saber utilizar essa informação a seu favor. Este tipo de informação, proveniente da pesquisa científica, pode ser muito interessantes, mas...
Cada vez que ofereço esses dados, ocorre-me sempre algo que corresponde a uma dúvida existencial minha... Preciso compartilhar: qualquer livro de ciência básica, em suas primeiras páginas, apresenta os modelos científicos nos quais estão fundamentadas as informações que se seguirão. Um dos que mais me convida à reflexão é o Modelo Atômico (caso você queira uma nova compreensão sobre ele, leia o livro “Espaço, Tempo e Além”, consulte bibliografia). Efetivamente, aprendemos que a matéria física é constituída de átomos. Que os átomos são partículas tão pequeninas, que nem nossa imaginação é capaz de alcançar. Porém, na dimensão do átomo, o seu núcleo é ainda incomparavelmente menor. Para você ter uma idéia de proporção, se o menor átomo que existe (o átomo de hidrogênio) tivesse a extensão de um prédio de três andares, seu núcleo teria o tamanho de uma cabecinha de alfinete.
O restante seria, praticamente, espaço vazio! Isso me leva a concluir que 99,9% da matéria sólida se constitui de espaço vazio!!! Os cientistas se preservariam afirmando que existem campos de força ou forças extremamente poderosas atuando nesses espaços diminutos para manter a consistência da matéria. Eu, porém, penso... por que minha mão não atravessa a matéria sólida? Não é quase tudo espaço vazio? Tanto uma parede quanto minha própria mão?Talvez a esta altura você esteja se perguntando: “O que isso tem a ver com nossos objetivos?” Acompanhe-me apenas mais alguns instantes... Para aproveitar melhor, traga de sua memória a lembrança de algum sonho que teve em uma noite qualquer. Sim, um sonho daqueles que temos ao dormir! Escolha o mais fantasioso dos que você se lembrar. Eu não sei qual é o seu sonho, porém, eu garanto algumas coisas:1.No seu sonho, o mundo é de cabeça para cima! Não é de ponta-cabeça ou invertido, como poderia ser! Afinal de contas, é somente um sonho! Nem é inclinado, como nos filmes do Batman! E poderia ser... É só um sonho!2.No seu sonho, se você estiver caminhando (muitos voam), o chão é tão duro quanto você poderia imaginar! E não precisava ser, pois você poderia cair através do chão! Não há nada de mais imaterial do que um sonho... Por que é duro e impenetrável, então? Nos sonhos, também seria possível atravessar paredes! Onde estão os limites? Perceba que nossos próprios condicionamentos criam nossas percepções e realidades, isto é, os limites talvez estejam apenas em nossas mentes!3.No seu sonho também vale a Lei da Gravidade, independentemente de qual seja o sonho. Você talvez voe, mas para as outras coisas, vale essa lei! E não precisava ser assim! É somente um sonho! Tudo poderia flutuar!
A cada noite que acordo, ainda meio sonolento, para ir ao banheiro e acidentalmente chuto o pé da cama ou bato a cabeça no armário, lembro-me de duas ou três gerações de quem colocou aqueles obstáculos ali – não tem nada de vazio ali! No entanto, minha mente científica me diz: “É quase tudo espaço vazio...”
Agora reapresento minha dúvida: eu não sei, eu não tenho certeza, se as coisas são como são porque assim devem ser... ou se são como são por nós acreditarmos que assim devem ser. Claro que esse tipo de crença estaria instalada num nível inconsciente coletivo bastante profundo... E, durante sua educação, uma criança inconscientemente vai apreendendo tais realidades.
Portanto, quando nos referirmos ao número mágico 93%, espero que ele, coordenadamente, ative nossa percepção e compreensão mais viscerais de como utilizá-lo a nosso favor.
A Linguagem Universal
Um fato muito curioso é observarmos crianças que possuem até cinco ou seis anos se comunicarem. Em geral, em pontos turísticos de grande convergência de estrangeiros, tais como Foz do Iguaçu, no Paraná, Pão de açúcar ou Corcovado, no Rio de Janeiro, ou Salvador, na Bahia, percebemos que, menos do que nós, brasileiros, os europeus ou americanos fazem viagens internacionais com os filhos. Porém, muitas vezes, podemos observar crianças de diferentes nacionalidades, raças e culturas circulando nesses locais.
Quando essas crianças se encontram, independentemente de sua procedência, sexo, raça, cultura ou idioma de origem, até cinco ou seis anos, elas se comunicam perfeitamente bem: brincam juntas, criam jogos, estabelecem regras, cada uma falando na própria língua – mesmo sem conhecer o(s) outro(s) idioma(s). Que tipo de linguagem é essa, que já possuímos algum dia e que, por alguma razão, deixamos de utilizar? Que tipo de língua é essa que permite que crianças se comuniquem universalmente?
Exceções
De fato, além dessa flexibilidade em se comunicar, é atribuída à criança uma grande competência em aprender rápida, fácil e naturalmente. Entretanto, o aprendizado da língua mãe é mais complexo e difícil. Pense bem: simultaneamente, a criança, além de aprender as palavras (7%) e os padrões não-verbais de comunicação e interação (93%), ainda depende do aprendizado do raciocínio lógico (estruturação do pensamento racional) e dos padrões de coordenação motora de todo o aparelho fonador (sistema motor envolvido na fala: desde a respiração até a dicção).
Essa jornada de aprendizado da língua por uma criança leva talvez de três a cinco anos, nunca chegando a um termo. Embora seja crença comum que uma criança aprende com mais facilidade, como explicar, então, que existem adultos que necessitam de apenas seis meses, ou até menos, para dominar um novo idioma? Naturalmente, essas pessoas não precisarão aprender a falar ou a pensar novamente! É claro, também, que essas pessoas já foram bem-sucedidas em aprender, inicialmente, a língua mãe (como todos nós), e na próxima língua não precisarão aprender a se comunicar ou a pensar novamente. Essas qualidades servirão para qualquer outro idioma. Uma conclusão simples: o adulto aprende um novo idioma com muito mais facilidade que uma criança!
Mais do que isso, tantas e tantas pessoas aprenderam definitivamente a falar uma nova língua de formas não ortodoxas, alguns sem se mudar para o país de origem do idioma, alguns sem freqüentar um curso formal de idiomas, ou mesmo sem estudar, alguns em apenas seis meses ou menos (e algumas dessas pessoas até se tornaram instrutores de línguas estrangeiras!). Todos esses tipos de pessoas não são diferentes de nós; não possuem um olho a mais, nem ouvidos a mais, ou mesmo uma outra boca e língua para aprender novos movimentos! O que elas fazem?Apenas não deixaram de se utilizar daquelas “ferramentas e instrumentos” que já as tornaram bem-sucedidas em aprender a língua materna! Todos nós temos essas facilidades, se resgatarmos aquelas formas de aprender que tivemos enquanto crianças, priorizando a percepção da musicalidade da linguagem (ritmos e entonações) – uma determinada freqüência mental (arquivo de memória) na qual, posteriormente, serão registrados os sons e significados específicos.
Quando, enfim, as pessoas me procuram pela natureza do meu trabalho e falam sobre suas dificuldades e bloqueios, atualmente posso até antecipar mentalmente suas queixas. Entretanto, penso, será que elas se esqueceram de que já aprenderam a mais difícil língua “estrangeira”? Por que deixaram de se utilizar daquelas formas de aprender que já deram certo?
Aprendendo no Caos
Se perguntarmos a qualquer pessoa: “Qual é a melhor forma de se aprender um novo idioma?” Estimo que 95% das respostas sejam parecidas com a seguinte: “Mude-se para o país de origem dessa língua!” Em geral, só não respondem isso aquelas pessoas que sequer cogitam a hipótese de viajar para estudar.
Quando, enfim, realizamos essa mudança de país, no caso da língua inglesa especificamente, para países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Austrália etc., ou mesmo Índia e outras antigas culturas que receberam tais influências, ninguém, absolutamente ninguém se dirige a nós na rua e diz: “Lesson one, verb to be...!”, “This pen is red...” etc. Nada disso! O aprendizado é completa e consensualmente caótico.
Ainda assim, o grande público admite que essa é a melhor forma de aprender. Reflita: se a melhor forma de aprender um novo idioma é no caos (pelo menos, aparentemente), o que é que os cursos tradicionais de idiomas estão fazendo? Tentando organizar o caos?
Ao observar o aprendizado de uma criança, percebemos que suas primeiras palavras estão relacionadas aos principais objetos de seu interesse e necessidade e com a freqüência que escuta tais sons ou palavras. Além disso, existe uma fase do aprendizado na qual a mãe é a grande “tradutora” de suas mensagens. Nessa fase, quando a criança se expressa, é capaz de atrair a atenção de qualquer adulto próximo, pois seus ritmos e entonações já correspondem aos da nossa língua, apesar de sua dicção não produzir, ainda, sons reconhecíveis por nós. A mãe, habituada ao convívio com a criança, naturalmente aprendeu sua “língua intermediária” nessa fase do aprendizado.
Uma pesquisa realizada por um cientista europeu constatou um dado curioso. Ele observou que uma criança, filha de mãe americana, temporariamente residente na França durante sua gestação e primeiro ano de vida, teve mais facilidade de aprender o francês do que o inglês – apesar de não ser o francês a língua materna daquela senhora. Concluiu que, já no útero materno, uma criança se adapta aos ritmos das respirações próprias de cada língua e que, de alguma forma, “escuta”, desde cedo, os sons daquela língua, familiarizando-se com suas sonoridades e ritmos. Para mais detalhes sobre a construção da identidade do falante de outros idiomas, vá até o primeiro exercício da“ABORDAGEM EXPERIENCIAL”.
Um Dado Surpreendente
Para aqueles que encontram na língua inglesa seus principais medos e desafios, saiba que 65% dessa língua é de raiz latina!!! Isso mesmo! Ao ler um texto científico, isso fica ainda mais evidente. Se quiser comprovar, pegue um dicionário e, folheando-o, compare as semelhanças de radicais. Quase todas as palavras inglesas terminadas em “tion” podem se tornar palavras de nossa língua substituindo-se o sufixo por “ção”!
De fato, a evolução da língua falada afastou um pouco mais o inglês americano de suas origens latinas (embora a influência hispânica, em algumas regiões, tenha resgatado parte dessa interação). O mais estranho não são as palavras, e sim os ritmos e entonações, aparentemente pouco familiares à nossa percepção.
Outra “Pérola”
A fluência de alto nível numa língua estrangeira é obtida, estima-se, quando o indivíduo possui um vocabulário ativo de algo em torno de duas a três mil palavras. Entretanto, uma pesquisa apresentada pela Universidade de São Paulo constatou que o vocabulário da língua portuguesa falada no dia-a-dia constitui-se de, aproximadamente, seiscentas palavras, ou seja, já com oitocentas palavras podemos falar uma nova língua cotidianamente, pois as vivências humanas, atualmente, são bastante universais e semelhantes. De acordo com Joseph Campbell, o crescimento da humanidade que um dia afastou povos pela superfície do planeta é o mesmo que nos une atualmente e que resgata a familiaridade e a universalidade da maior parte das experiências humanas.
Os Arquivos de Memória da Língua Falada São Outros...
Sim! Os arquivos de memória da linguagem escrita ou compreendida conceitualmente não são os mesmos da língua falada ativamente. Isso fica evidente cada vez que uma criança se aproxima de um adulto para perguntar o significado de uma determinada palavra. Esse adulto pode, com muito cuidado, explicar-lhe o sentido daquela palavra e dar-lhe vários exemplos, evidentemente interessado no aprendizado da criança. No entanto, essa palavra, muitas vezes, não faz parte do vocabulário ativo desse adulto, ou seja, sabe o que significa, entende quando a ouve, mas nunca usa ou fala essa palavra. É uma palavra de seu vocabulário passivo.Inversamente, o mesmo adulto pode perguntar àquela criança o que significa uma determinada palavra que o(a) pequeno(a) acabara de proferir. Talvez essa criança não saiba explicar, mas se utiliza dessa palavra corretamente, sempre que precisa, no contexto adequado, no momento certo – é uma palavra de seu vocabulário ativo.
Outra ocasião familiar é quando se solicita a alguém que leia em voz alta um determinado texto ou comunicado. Atentamente, essa pessoa fará o melhor possível, buscando clareza de dicção em sua leitura, fazendo as pausas de acordo com a pontuação e até repetindo uma frase ou oração, no caso de algum deslize de fluência ou pontuação. Porém, se ao final da leitura lhe perguntarmos o que entendeu daquilo que leu em voz alta, possivelmente ela irá solicitar um tempo extra para ler novamente, em seu estilo, para compreender. São ambientes mentais e cognitivos diferentes! Para algumas pessoas, eles foram integrados, enquanto, para outros, ainda permanecem “desconectados”. Em nosso trabalho, temos por objetivos reintegrar alguns desses ambientes mentais e intercambiar conhecimentos e competências.
Aprendendo a Aprender
Quando comunicamos a um amigo ou amiga que estamos nos matriculando num novo curso de idiomas ou aprendendo uma nova língua, ocasionalmente essa pessoa nos perguntará se é a primeira língua estrangeira que estamos aprendendo. Talvez respondamos que sim, talvez que não, talvez seja a segunda ou terceira nova língua. Possivelmente, então, comentará: “Ah, se for a primeira língua estrangeira, talvez você tenha um pouco mais de dificuldade de aprender. Mas se for a segunda, terceira ou quarta, fica progressivamente mais fácil de aprender...”
Atribui-se a um indivíduo que já fale três ou quatro idiomas uma facilidade muito maior de apreender o seguinte. Isso é uma conclusão bastante comum. Pergunto, então: “O que é aquilo que nós aprendemos junto com o idioma que torna mais fácil o desafio ou empreendimento de aprender uma próxima língua?”
Inconscientemente, na maior parte das vezes, aprendemos a aprender línguas. Ao conquistarmos a habilidade de falar um outro idioma, nós ativamos nossa percepção para esse universo da realidade humana. Colocamos em prática aquilo que dá e deu certo. Sem perceber, descobrimos, inconscientemente, como prestar atenção no aprendizado; aprendemos o que é vocabulário ativo e o que é vocabulário passivo (pense naquelas palavras, em outra língua, que você talvez tenha gastado horas para aprender e depois nunca mais ouviu!); aprendemos a nos concentrar e a pensar naquele novo idioma; aprendemos a ouvir e perceber sonoridades, sotaques e regionalismos. Chamo isso “a receita do bolo” de como aprender, ou “Estratégias de Aprendizagem”. São as técnicas propriamente ditas (parte do conteúdo deste livro).
Traduções
Qualquer pessoa que já conheça pelo menos um pouco da língua estrangeira e que queira desenvolver a habilidade de falar já deve ter tido a oportunidade de presenciar uma palestra com tradução simultânea ou uma conversa em um grupo de pessoas no qual se falasse mais de um idioma. Com ouvidos atentos, talvez tenha observado que as versões de um idioma para outro não são traduções precisas. Até nos filmes estrangeiros legendados, com som original, é possível perceber que não existe tradução de uma língua para outra! Os bons profissionais de tradução simultânea não traduzem! E aqueles que traduzem perdem as sutilezas da compreensão, quando não a completa inteligibilidade. Os melhores tradutores são pessoas que capturam o sentido e o objetivo de cada comunicação em uma língua e reconstróem a compreensão no outro idioma (não raro, são especialistas naqueles assuntos a serem traduzidos ou buscam informações e compreensão mais detalhada dos temas, antes de algum trabalho), muitas vezes utilizando conceitos e palavras não proferidos na língua original, porém contextualizados nas necessidades de compreensão da outra língua.
Para nós, brasileiros, que aprendemos na escolinha que “I” = “eu”, ou seja, que o pronome pessoal da primeira pessoa do singular da língua inglesa equivale ao nosso correspondente em português, saiba que essa equivalência é apenas funcional. Na sutileza da língua, grosseiramente, diria que um não se relaciona em nada com o outro! Quando um americano ou um britânico se utiliza do pronome pessoal da primeira pessoa do singular, “I”, está falando da perspectiva de uma cultura própria de países de Primeiro Mundo que nunca foram de Terceiro Mundo. Fala a partirde uma língua considerada o idioma mais importante no mundo dos negócios e no qual se escreve esse pronome apenas com letra maiúscula, visto que se refere a um dos mais importantes valores daquela cultura. Sim, o pronome “I” nunca é grafado como “i”!
Quando um brasileiro utiliza o pronome pessoal da primeira pessoa do singular, “eu”, está falando da perspectiva de um habitante de uma cultura proveniente do Terceiro Mundo, na qual é considerado falta de gentileza ou parece arrogância utilizar-se muito desse pronome ou assumir muitos sucessos, onde valeu a “Lei de Gérson” e a partir de certos paradigmas éticos e comportamentais próprios de uma cultura de raiz latina predominantemente católica. No nosso país, durante muito tempo, uma das frases mais comuns foi: “Não fui eu... Não fui eu!” Um idioma no qual, para nos referirmos a nós mesmos, na maior parte das vezes, utilizamos o pronome pessoal de segunda ou de terceira pessoa do singular: “tu” ou “você” – observe na comunicação fluente diária quantas vezes, ao se referir a si mesmo, utiliza os pronomes “tu” ou “você”!Isto é, ao falar de si próprio não utiliza o pronome “eu”.
Além disso, você pode fazer ainda uma outra reflexão, respondendo a algumas perguntas. Cada um de nós possui uma noção subjetiva de temporalidade, ou de sucessão de eventos no tempo. Isso nos permite saber que aquilo que nos aconteceu ontem foi, de fato, ontem, e não na semana passada. Da mesma forma, intuímos um tempo para os nossos objetivos futuros, e aquilo que pretendemos fazer amanhã nos oferece uma noção de distância temporal diferente dos nossos planos para um futuro a médio ou longo prazo. Entretanto, apesar dessas evidências estarem completamente registradas e estruturadas em nossa linguagem, ou seja, sabemos diferenciar passado, presente e futuro com considerável precisão, o mesmo não acontece para detalhamentos dentro de cada um desses três universos temporais. Seja na utilização precisa da linguagem ou na própria estruturação subjetiva de nossos registros de informações e eventos (que se relacionam intimamente), observamos que muitas pessoas não se utilizam da conjugação de determinados tempos verbais. Concluímos, então, que não possuem referência para essas temporalidades.
Experimentalmente, equacionaria essa percepção da seguinte forma (utilizando uma ação simples, tal como “pescar”, como ilustração):Tempos verbais passados: Tempos verbais futuros:Eu pesquei.Eu pescava. Eu pescarei.Eu pescara. Eu vou pescar.Eu fui pescar. Eu irei pescar.Eu fora pescar. Eu terei pescado.Eu tinha pescado. Eu estarei pescando.Eu estivera pescando. Quando eu pescar.Se eu tivesse pescado.Projete agora em sua consciência essas experiências, duas a duas, comparando a proximidade ou distância no tempo. Por exemplo, afirme a primeira frase: “Eu pesquei” e perceba, no tempo, quão próximo está esse evento; em seguida, faça o mesmo com a afirmação seguinte: “Eu pescava”. Compare agora, qual dessas ações é a mais próxima? Qual é a mais determinada? Continue essas comparações, duas a duas, e faça uma escala crescente de distanciamento ou definição temporal. Você pode, se quiser, ou se não gostar de pescar, escolher outra ação simples qualquer: andar, dançar, pensar, falar etc. Quando tiver essas duas seqüências, uma para o passado e outra para o futuro, proponha as mesmas comparações e a construção de uma escala semelhante para outra pessoa de fora de sua família ou convivência diária. Observará que, apesar de falarmos a mesma língua, as representações internas para a linguagem, seja em relação ao passado ou ao futuro, podem ser surpreendentemente diferentes. Imagine, então, como seria com outro idioma!
De fato, em relação à língua inglesa, não existe uma tradução exata para os tempos verbais pretérito imperfeito ou mais-que-perfeito de nossa língua. Assim, também, não existe em português uma tradução fiel para o tempo verbal Present Perfect do inglês. Ao aprendermos a nos expressar em uma nova língua, não somente as palavras serão diferentes, como também a nossa subjetividade ganhará uma nova dimensão e identidade de organização e estrutura (isso para os bons falantes de outras línguas). Quem passou por essas experiências reconhece que até alguns sentimentos diferentes estão associados a diferentes línguas, às vezes até intraduzíveis. Caso essa mudança não ocorra, o indivíduo permanece como uma daquelas pessoas que se mantêm traduzindo interiormente, para poder representar em sua mente aquilo que ouve e o que vai falar. Um longo caminho e esforço para apenas tentar obter os resultados que serão naturais se flexibilizar sua identidade.
Distorção do Tempo e Integração de Ambientes
Um grande amigo certa vez comentou que percebia dois momentos bastante distintos na leitura de um livro. Num primeiro momento, iniciava a leitura buscando referências e entendimento. Em alguns livros, porém, através da leitura das primeiras páginas, construía um cenário onde se desenrolaria o conteúdo do texto. A partir desse momento, então, sua leitura tornava-se extremamente rápida e fluida. Seus olhos percorriam as linhas impressas, porém sua percepção mantinha-se fixa no cenário imaginário, como se assistisse a um filme. A velocidade de leitura aumentava muito, e mais, tendo visto esse cenário vivo em sua imaginação, era capaz de memorizar cada detalhe do enredo com relação ao todo. Cada vez que vivia essa experiência de leitura, então conseguia lembrar-se de todo o livro! Surpreendente, não? De fato, qual é o real objeto da comunicação através da linguagem?
Mais uma Peça do Quebra-Cabeça
Um dia, há uns quinze ou vinte anos, acordei pela manhã com uma cena vívida de algo que sonhava imediatamente antes de despertar. Em minha memória permaneceram os sons de algo que eu falava para um personagem do sonho. Minha mensagem era muito coerente e imperativa. Porém, os sons que permaneceram em minha memória não se pareciam com nenhuma língua que eu conhecesse. Pensei: “O que será que aconteceria se eu quisesse expressar ou falar algo cuja mensagem não pudesse ser articulada em nossa língua? Seria eu capaz de elaborar um pensamento que a linguagem não alcançasse? E a partir daí, como eu poderia comunicar essa percepção ou pensamento?”
Paul Valery afirmou: “Pensar profundamente é pensar o mais distante possível do automatismo verbal”. Quantos e quantos de nós pensamos ou sonhamos algo que não conseguimos expressar em palavras. Einstein dizia que o seu grande trabalho era verbalizar (codificar em linguagem verbal) aquilo que era imaginado e concebido em suas percepções e seus pensamentos – seria isso que ele queria dizer quando afirmava que seu trabalho era 5% inspiração e 95% transpiração? Pergunto então o que é, na verdade, o conteúdo real da comunicação: as palavras, frases e orações ou a compreensão e o entendimento?
Lembrando-se do Caminho
Um cliente, certo dia, comentou que se dispôs a provocar sua filha pequena quando esta lhe perguntou se naquele dia iriam visitar seu irmão: “Pai, hoje a gente vai ver o tio ‘Frankico’ (assim soava)?” Esse homem então parafraseou a pequena: “O tio ‘Frankico’?” Ela imediatamente respondeu: “Não, não, o tio ‘Frankico’!” Essa provocação continuou por mais alguns instantes até que a pequena se irritara. Assim, ele disse finalmente: “O tio Francisco?” Ela retrucou: “Isso, isso, o tio ‘Frankico’...” Tal fato evidencia que a pequena tinha total e completa percepção da diferença entre ‘Francisco’ e ‘Frankico’, embora sua dicção ainda não alcançasse essas diferenças de articulação. Sabia o que escutava, pronunciava o que podia!
Nunca se esqueça de observar como uma criança aprende sua língua. Observe que o falar errado não é intencional, mas sim, falta de discernimento ou de dicção precisa dos sons. Ela possui ainda pouca habilidade de ouvir seus próprios sons e faz, ainda, poucas distinções. Porém, observe como as entonações e ritmos do seu discurso correspondem aos sons de sua língua com exatidão. Ela pode enrolar a língua, falar errado, mas os padrões sonoros não-verbais são bastante familiares à língua: a chamada “embromação verbal”.
Criptografia
Imagine uma brincadeira de crianças: brincar de agente secreto. Para alguns, talvez até para você, leitor, esta próxima experiência já seja conhecida. Suponhamos que eu quisesse enviar uma mensagem secreta para o meu amiguinho, estabelecido em outra cidade, mas que não existissem telefones (ou estivessem “grampeados”). Certamente, se eu apenas a redigisse e enviasse, na minha mentalidade de “agente secreto” conviveria com a incerteza do recebimento ou da interceptação pela “contra-espionagem”... Assim, para garantir o seu recebimento pela pessoa correta, eu criei um código. Por exemplo, o seguinte:A ® c H ® d O ® q V ® nB ® t I ® r P ® v W ® wC ® i J ® y Q ® g X ® lD ® m K ® z R ® a Y ® pE ® ( ) espaço L ® s S ® x Z ® kF ® j M ® u T ® f ( ) espaço ® oG ® b N ® e U ® hAssim, para a minha mensagem original, eu reescrevi o texto de acordo com as substituições de letras apresentadas nesse código (com escolha aleatória e constante, nesse caso). Evidentemente, ao enviar a mensagem e a chave do código para que meu “espião” pudesse decodificá-la, coloquei-as em cartas a serem enviadas em datas diferentes. Se interceptassem qualquer uma delas, de fato, não teriam a mensagem. Suponhamos que meu amiguinho tenha recebido a mensagem codificada, porém, nunca tenha recebido a chave do código (extraviou-se ou fora interceptada). Sem se comunicar comigo, como ele poderia resgatar a mensagem original? Como poderia decodificá-la sem a chave? Pense um pouco antes de prosseguir.
A resposta mais comum é a proposta de tentativa e erro: pega-se uma palavra, faz-se as substituições possíveis até que obtenhamos um significado, depois testa-se em outras palavras na busca de um sentido. Outra possibilidade empírica, porém mais simples, é nos lembrarmos de que as palavras em nossa língua possuem tamanhos diferentes, ou seja, as palavras de uma única letra só podem ser a, e ou o. As de duas letras só podem se constituir de duas vogais ou de uma vogal e uma consoante: da, de, do, em, na, no, eu, tu, te, lá, se etc. Nessa rápida abordagem empírica, identificamos os representantes das letras a, e, o, u, d, m, n, t, s etc., aproximadamente um terço do alfabeto. Um grande e essencial caminho percorrido.
Entretanto, como “agente experiente” que eu era, sabia que seria, então, muito fácil. Logo, fiz mais uma mudança: substituí os espaços em branco, entre cada palavra, por uma determinada letra e, por conseguinte, uma das letras do alfabeto se transformou no espaço em branco! Agora todos os tamanhos das palavras também mudaram. Eu pergunto, ficou mais fácil ou mais difícil? De fato, para o método empírico exposto anteriormente, muito mais difícil; entretanto, para uma abordagem criptográfica simples, nada mudou.
Suponhamos que uma mensagem possível fosse a seguinte, somente para você se divertir, a título de curiosidade:“acaqo lrxfraoiqrxcxogh onqi o xf ycoruvqxxrtrsrfcmqom ojck aoxqu ef ocsbhucxoiqrxcxogh onqi ocremcova irxcocva em aocojck a”.
ucafreotaqiuce
(cmcvfcmq)
Criptografia é um campo da pesquisa matemática que se desenvolveu muito no passado, por causa das guerras. Porém, no presente, já há trinta ou quarenta anos, tem se desenvolvido muito graças à evolução da informática e à necessidade de proteção dos sistemas de informação. São assuntos dessa área as senhas e códigos de nossos cartões de banco, crédito, Internet etc.
Com relação ao problema proposto, o mais curioso é que você já sabe intuitivamente a resposta. Apresento-a, então: você deve conhecer um jogo chamado FORCA – aqui está a solução...
Quais são os critérios e métodos para participar dessa brincadeira? Damos como palpites algumas letras, ou seja, “chutamos” algumas possibilidades de letras, sem ainda imaginar qual seja a palavra a ser descoberta. Qual seqüência de letras você arriscaria? Começaria testando as seguintes letras: x, j, z, k, w, y etc.? Ou iniciaria escolhendo as vogais? Intuitivamente, possuímos uma percepção da freqüência de repetição de cada letra. Sugiro que, quando jogar Forca, de agora em diante, comece a procurar as respostas do jogo, até intuir a palavra completa, arriscando os palpites na seqüência apresentada na próxima tabela.
Obs.: certamente, numa análise mais detalhada, todos os caracteres gráficos poderiam ser incluídos nessa contagem. Como ilustração, somente inseri as letras e espaços em branco, desprezando os sinais de pontuação, aspas, acentos etc.
Caso minha mensagem fosse longa, a solução seria transcodificar o texto num código numérico intermediário que correspondesse às freqüências de repetição de cada letra. Para cada idioma, quer seja uma página, dez ou cem páginas, a freqüência de repetição de cada caractere gráfico tende a um número constante. Existem tabelas prontas (acredito), ou você mesmo poderia construir sua própria tabela pesquisando as freqüências de repetição de cada letra, para posterior comparação com o texto “secreto”. Perceba, também, que é até possível identificar o idioma no qual foi escrita a mensagem! Pois, no caso da língua inglesa, especificamente, os caracteres mais freqüentes seguem a seguinte seqüência, de acordo com os dados da tabela: (espaço branco), e, t, n, o, a, i...; enquanto, no português: (espaço branco), a, e, o, s, r, n, i....Freqüência de Repetição de Caracteres (Letras do Alfabeto + espaços)
Língua Portuguesa
|
Língua Inglesa
| |||
Espaços
|
13,8%
|
Espaços
|
15,8%
| |
A
|
12,1%
|
E
|
10,2%
| |
E
|
11,6%
|
T
|
6,9%
| |
O
|
7,8%
|
N
|
6,9%
| |
S
|
7,2%
|
O
|
6,8%
| |
R
|
5,7%
|
A
|
6,6%
| |
N
|
5,6%
|
I
|
5,8%
| |
I
|
5,1%
|
S
|
5,8%
| |
D
|
4,8%
|
R
|
5,2%
| |
M
|
4,1%
|
H
|
4,1%
| |
U
|
3,6%
|
C
|
3,3%
| |
T
|
3,6%
|
L
|
3,2%
| |
C
|
3,2%
|
U
|
3,0%
| |
P
|
3,1%
|
D
|
3,0%
| |
L
|
2,2%
|
Y
|
2,4%
| |
G
|
1,3%
|
M
|
2,0%
| |
Q
|
0,8%
|
P
|
1,8%
| |
F
|
0,8%
|
F
|
1,6%
| |
V
|
0,7%
|
W
|
1,5%
| |
Ç (cedilha)
|
0,6%
|
G
|
1,3%
| |
Z
|
0,6%
|
V
|
1,0%
| |
H
|
0,6%
|
B
|
1,0%
| |
B
|
0,5%
|
K
|
0,5%
| |
J
|
0,2%
|
X
|
0,2%
| |
X
|
0,2%
|
J
|
0,1%
| |
K
|
0%
|
Q
|
0,04%
| |
W
|
0%
|
Z
|
0,03%
| |
Y
|
0%
| |||